Setor de limpeza profissional movimenta R$ 32 bilhões com alta na demanda por serviços técnicos

 

O mercado de limpeza profissional no Brasil atingiu a marca de R$ 32 bilhões em movimentação anual, conforme dados revelados pelo Anuário do Mercado de Limpeza Profissional 2024/2025, publicado pela Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp). O levantamento indica uma transformação estrutural no setor, caracterizada pela migração gradual da limpeza doméstica informal para serviços técnicos especializados, impulsionada pela necessidade de manutenção de ativos imobiliários.

O estudo destaca que a valorização dos imóveis e o uso de materiais de acabamento mais sofisticados, como porcelanatos de grandes formatos e pedras naturais, elevaram o nível de exigência dos proprietários. Essa mudança de perfil no consumo forçou o mercado a adotar protocolos mais rígidos, onde o conhecimento sobre produtos químicos e equipamentos específicos se tornou um pré-requisito para a execução dos serviços, visando evitar danos permanentes às superfícies recém-instaladas.

Sobre a complexidade técnica envolvida nessa etapa final da construção, a qualificação da mão de obra aparece como fator determinante. “O proprietário hoje entende que o custo de um revestimento danificado por uso de ácido ou abrasivo incorreto é muito superior ao investimento no serviço especializado, o que torna a contratação técnica uma medida de segurança patrimonial e não apenas estética”, avalia Cléber Nascimento, sócio proprietário da Atmosfera Serviços.

Esse cenário de cautela por parte dos investidores imobiliários e construtoras tem aquecido a demanda por pessoas jurídicas capacitadas. Ao receber as chaves de um novo empreendimento, a busca por uma empresa de limpeza pós obra qualificada tornou-se uma etapa padrão no cronograma de mudança, garantindo que a remoção de resíduos pesados seja feita sem comprometer a garantia dos acabamentos entregues pela construtora.

O relatório da Abralimp também detalha a diferença entre a faxina de conservação e a limpeza técnica. Enquanto a primeira foca na manutenção da higiene diária, a segunda exige maquinário de alta performance, como lavadoras de alta pressão, enceradeiras industriais e aspiradores de pó e água de grande porte, equipamentos necessários para remover incrustações de cimento, gesso, colas e tintas típicas do ambiente de construção.

Nesse contexto, a limpeza pós obra se consolida como um nicho de alta rentabilidade e complexidade dentro do setor de facilities. O anuário aponta que a especialização permite que as empresas atuem com margens mais definidas, uma vez que o serviço é pontual e baseia-se em escopo técnico detalhado, diferentemente dos contratos de manutenção recorrente que sofrem maior pressão por preço.

Outro ponto relevante abordado no estudo é a profissionalização da força de trabalho. As empresas do setor têm investido em treinamentos sobre a escala de pH de produtos químicos e normas de segurança do trabalho. A formalização do emprego nesse segmento cresce à medida que as exigências legais e ambientais para o descarte de resíduos de limpeza se tornam mais rigorosas em condomínios e áreas corporativas.

Por fim, a Abralimp projeta que o setor continue em expansão nos próximos anos, acompanhando o ciclo de entregas do mercado imobiliário. A tendência é que a limpeza profissional se integre cada vez mais à cadeia produtiva da construção civil, sendo vista não como um serviço acessório, mas como o elo final fundamental para a habitabilidade e a valorização do imóvel novo ou reformado.

 

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VITORIA YUKI MOTOYAMA
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