Em dezembro de 2025, a Lei da Aprendizagem (Lei nº 10.097/2000) completa 25 anos como uma das principais políticas públicas de inserção de jovens brasileiros no mercado de trabalho. Criada com o objetivo de fomentar a inclusão social e a capacitação profissional de pessoas entre 14 e 24 anos, a legislação atravessou um quarto de século lidando com resistências, ajustes e desafios operacionais. Atualmente, o programa segue batendo recordes de jovens participantes: em setembro de 2025 atingiu o marco de 710 mil jovens contratados como aprendizes – o maior número desde a criação do programa, conforme o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
A princípio, encarado como um desafio de custo e burocracia para muitas empresas (a legislação exige a contratação de aprendizes em cotas que vão de 5 a 15% para empresas a partir de 7 funcionários), atualmente o programa tem se provado um sucesso tanto para alavancar carreiras de jovens de baixa renda quanto para formar talentos que serão aproveitados pelas empresas.
A taxa de efetivação dos aprendizes na Companhia de Estágios é de 47%. Outro ponto significativo é a baixa rotatividade – aprendizes recrutados pela empresa possuem uma taxa de permanência durante os programas de 94,38%.
Criado como um programa social para incentivar a entrada de jovens no mercado de trabalho formal, mitigar a exploração do trabalho de jovens e adolescentes e evitar a evasão escolar, o programa Jovem Aprendiz demorou para deslanchar. Questões como dúvidas sobre a aplicação da cota obrigatória e insegurança jurídica precisaram ser superadas.
Além disso, a informalidade no mercado de trabalho e a alta rotatividade dificultaram a consolidação de programas contínuos dentro das organizações. O programa comprovou seu potencial de expansão em 2023, quando atingiu o marco de 500 mil aprendizes.
“É necessário seguir incentivando as empresas a investirem nos jovens, além do impacto social, eles abastecem as posições de entrada das empresas, como vagas de estágio, posições de assistente e analista Jr.”, diz Tiago Mavichian, CEO da Companhia de Estágios, líder em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes.
Somado a isso, o aumento da fiscalização junto às empresas têm feito com que aquelas que não cumpriam a cota passem a cumprir, o que resulta no aumento no número de jovens contratados. “Mas é importante lembrar que a meta do governo é que o programa chegue a 1 milhão de aprendizes, ou seja, as contratações ainda vão avançar mais”, acrescenta o executivo.
Impacto social
O Programa Jovem Aprendiz funciona por meio da contratação formal de jovens, com idade entre 14 e 24 anos, por empresas a partir de 7 funcionários que, por lei, devem destinar uma parte de suas vagas a aprendizes. O contrato tem duração máxima de dois anos e prevê jornada reduzida, salário proporcional às horas trabalhadas, direitos trabalhistas (como FGTS, férias e 13º) e, principalmente, a combinação entre atividades práticas na empresa e formação teórica oferecida por instituições parceiras e entidades qualificadoras. Dessa forma, o jovem aprende uma profissão na prática enquanto desenvolve competências técnicas, comportamentais e sociais necessárias para sua inserção e permanência no mercado de trabalho.
Um levantamento recente da Companhia de Estágios, realizado em parceria com a Opinion Box, averiguou o impacto do programa jovem aprendiz no seu público-alvo principal, estudantes de baixa renda, que desejam entrar no mercado de trabalho formal sem experiência prévia.
A pesquisa indicou que, para 57% dos atuais jovens aprendizes, os salários oferecidos nos programas têm grande peso na composição da renda familiar. Quando o enfoque é em jovens de classes sociais mais baixas (D e E), este percentual é ainda mais elevado, subindo para 70%.
“Na prática, a aprendizagem ajuda a tirar muitos jovens da informalidade, oferecendo um contrato regular, renda e uma jornada que não apenas permite a continuidade dos estudos, mas têm a conclusão do ensino básico como exigência”, diz Mavichian. “Para quem vive em contextos mais vulneráveis, isso faz diferença: reduz a evasão escolar e cria um caminho concreto de entrada no mercado formal.”
A pesquisa mencionada também mostra que a participação na aprendizagem é algo que marca a vida desses jovens: entre aqueles que já participaram, metade (51%) tem a intenção de retornar ao programa, e os principais motivos para isso estão vinculados ao desejo desses jovens em adquirir mais experiências profissionais (53%) e por acreditarem ser a forma mais fácil de ingressar no mercado de trabalho (41%).
A trajetória de Leonardo Ricardo da Silva, hoje analista de relacionamento comercial na Seguros Unimed, ilustra a importância do programa na vida dos jovens. Morador de Caieiras (SP), ele ingressou como jovem aprendiz em 2022, quando ainda estava no Ensino Médio e tinha muitas dúvidas sobre qual caminho profissional seguir. “Eu não sabia exatamente o que queria construir. Foi o programa que me ajudou a desenvolver confiança, equilibrar minhas inseguranças e entender meu lugar no mundo do trabalho”, conta.
Ao longo do contrato, teve acesso à formação técnica e ao acompanhamento de instrutores, participou de projetos internos, passou por diversos workshops envolvendo diversas áreas e se tornou influenciador da marca Seguros Unimed (é até hoje). Em dezembro de 2024, recebeu a proposta de efetivação, pouco antes do fim do seu contrato de aprendiz. “Poder ser eu mesmo dentro do ambiente corporativo e contar com um time que entende que o erro faz parte do aprendizado foi decisivo”, diz Leonardo, que hoje é estudante de Marketing no ensino superior e observa o programa como ponto de partida de sua trajetória profissional.
Amadurecimento do programa
A maior familiaridade das empresas com o programa tem provocado mudanças positivas. Um exemplo disso é que, anteriormente, as empresas costumavam fazer contratações pontuais de jovens aprendizes, mas agora tem se tornado comum o lançamento de programas de contratação e surgimento de ondas de contratação mais estruturadas, semelhantes ao modelo do estágio. “Deste modo, tem sido mais fácil planejar e gerenciar a contratação, onboarding e gestão dos jovens em blocos”, complementa Mavichian.
Além contribuir para a inserção de jovens vulneráveis no mercado de trabalho, as empresas que contratam jovens aprendizes têm benefícios trabalhistas, como a isenção de multa rescisória e de aviso prévio, já que é um contrato de trabalho por tempo determinado, além de um desconto no FGTS, de 2% em vez dos 8% previstos na contratação de um funcionário convencional.
Futuro da aprendizagem
O desafio agora é manter a aprendizagem evoluindo junto às profissões do futuro, em um mercado de trabalho que passa por transformações aceleradas, com automação de processos e ampla adoção de tecnologias como a inteligência artificial. Isso significa ampliar o acesso dos jovens a áreas como tecnologia, inovação, energia limpa, saúde digital e economia criativa, mas sobretudo repensar como essa formação acontece. “Não faz mais sentido preparar jovens para executar tarefas que, em pouco tempo, serão substituídas por máquinas e algoritmos. A aprendizagem precisa ser voltada ao desenvolvimento de competências humanas, criativas, analíticas e relacionais, que continuem relevantes mesmo com o avanço da IA”, afirma o executivo.
É nesse contexto que iniciativas inovadoras dentro da formação teórica do Jovem Aprendiz, como o novo Lab da Companhia de Estágios, ganham relevância. Ao combinar tecnologia, inovação, atividades práticas e experiências imersivas, a iniciativa aproxima jovens de baixa renda de recursos como robótica, prototipagem e realidade virtual, ampliando repertórios, estimulando o pensamento crítico e fortalecendo habilidades essenciais para o futuro do trabalho. “Se quisermos que a aprendizagem siga relevante pelos próximos 25 anos, será preciso atualizá-la em diálogo permanente com o mercado, sem perder seu caráter social, inclusivo e transformador”, conclui.
SOBRE A COMPANHIA DE ESTÁGIOS
A Companhia de Estágios é a consultoria mais bem avaliada do segmento. Oferece soluções em recrutamento e seleção de estagiários, trainees e jovens aprendizes e realiza a emissão e administração de contratos de estágio, atuando como agente de integração. Além disso, oferece o programa Jovem Aprendiz, cuidando da formação dos jovens e até da folha de pagamento e benefícios para as maiores organizações do país. Com o propósito de fomentar a entrada de estudantes no mercado e guiar cada vez mais talentos e empresas para o amanhã, tem mais de 2 milhões de candidatos cadastrados em sua base. A empresa usa inteligência artificial, gamificação e processos no metaverso para proporcionar a melhor experiência aos candidatos das mais de 4 mil vagas que gerencia anualmente. É responsável pela construção de programas de atração de talentos para mais de 1000 clientes, no Brasil e América Latina, entre eles, Boeing, Volvo, Pirelli, Clariant, Nissan, Bunge, e Alcoa. Atualmente, a Companhia de Estágios é a consultoria de recrutamento e seleção melhor avaliada pelos candidatos no Google e Facebook (4,9/5) e possui certificação do GPTW de 2020 a 2025. Em 2021, 2022, 2024 e 2025 recebeu o prêmio Fornecedor de Confiança (Melhor RH). Em 2024, foi destaque no prêmio The Best Brands, da Melhor RH, na categoria Recrutamento e Seleção. Foi Top 5 no Top of Mind de RH em 2024 e 2025. Mais informações em www.ciadeestagios.com.br
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