*Por Danilo Nunes
Nos dias 17, 18 de setembro aconteceu o Meta Connect 2025, com palestra liderada por Mark Zuckerberg, ponto de contato da big tech com o mercado, desenvolvedores e imprensa para apresentar lançamentos e atualizações. O grande destaque foram os novos modelos de óculos inteligentes, que pela primeira vez terão parte da linha oficialmente lançada no Brasil.
Diferente do Performance Summit 2025 – voltado a anunciantes e às ferramentas de IA para performance, como Andrômeda e GEM – o Meta Connect trouxe uma conversa mais ampla, direcionada aos usuários pioneiros de novas tecnologias e influenciadores de tendências.
Mais do que falar em vendas, o evento apresentou uma visão de futuro sobre a superinteligência de IA: tradução simultânea, legendas automáticas, assistência pessoal para diversas atividades, aumento de performance esportiva e envio de mensagens sem usar o celular.
Principais anúncios do Meta Summit 2025: a aposta em óculos inteligentes
Óculos Ray-Ban Meta (2ª geração)
Os já existentes Ray-Ban Meta, com mais de 2 milhões de unidades vendidas, ganharam bateria com o dobro de duração, captura de vídeo em 3K Ultra HD, funções de IA aprimoradas e tradução automática para português e alemão.
Não chegou a ser a atualização esperada, mas a Meta também revelou novos estilos com armação Wayfarer, Skyler e Headliner, em mais de 27 combinações possíveis de estrutura, cores e tipos de lentes – incluindo uma edição limitada com armação transparente.
Óculos Ray-Ban Meta Display
Esse lançamento marca o caminho da Meta em direção aos futuros óculos Orion AI, focados em realidade aumentada (AR), que ainda não estão disponíveis ao público devido ao alto custo de produção — cerca de US$ 10 mil por unidade. O Ray-Ban Meta Display combina recursos de IA e AR em uma lente equipada com display de waveguide e vem acompanhado da pulseira Meta Neural Band, que utiliza tecnologia sEMG (eletromiografia de superfície) para captar sinais do pulso e enviar comandos ao dispositivo.
As funcionalidades prometem integrar a tecnologia ao cotidiano: responder perguntas em tempo real, interagir com objetos, atender chamadas, enviar mensagens, imagens e vídeos apenas com gestos, além de tradução e legendas automáticas, chamadas de vídeo sem uso das mãos e todas as funções do Ray-Ban Meta original. Desenvolvidos em parceria com a Essilor Luxottica, os óculos serão lançados em dois tamanhos de armação e diferentes cores a partir de 30 de setembro, por US$ 799, em varejistas selecionados dos Estados Unidos, com expansão global prevista para 2026.
Óculos esportivos Oakley Meta Vanguard
A linha Oakley Meta HSTN ganhou um novo integrante: os Oakley Meta Vanguard, com câmera centralizada e design envolvente no estilo wraparound com a proposta clara de atender um público de performance esportiva.
Equipado com uma lente central, o dispositivo traz uma câmera de 12 MP com amplo campo de visão e suporte para gravações em resolução 3K. Além disso, possui um botão personalizável, cinco microfones embutidos e certificação IP67, garantindo resistência à água e à poeira. O lançamento oficial nos Estados Unidos está programado para 21 de outubro, com preço estimado em US$ 499, enquanto a chegada ao mercado brasileiro está prevista para ocorrer em 2025.
O futuro da Meta AI e Horizon TV
Novas ferramentas para criação no metaverso estão chegando para realidade virtual, óculos inteligentes e redes sociais. Entre elas está o Meta Horizon Studio, que possibilita a geração de mundos 3D via IA, e o Meta Hyperspace, capaz de usar as câmeras dos headsets Meta Quest 3 e Quest 3S para “mapear” o espaço físico em minutos e transformá-lo em uma réplica digital fiel.
Um novo hub de entretenimento será integrado aos headsets Quest, trazendo conteúdos de parceiros como Disney Plus, Blumhouse e outros estúdios, ampliando as possibilidades de uso para além da imersão em jogos.
Criando novos hábitos de uso da tecnologia
Apesar das falhas na demonstração ao vivo e o ceticismo sobre a real adoção desse tipo de tecnologia, enquanto se investe em tecnologias para redes sociais, a Meta está investindo em desenhar uma nova arena de atenção, que se mescla com o dia a dia.
A obsessão de Zuckerberg é em ter óculos primariamente confortáveis e com um bom design, impulsionados com um software que dá acesso a ferramentas poderosas ainda mantendo o senso de presença que se tem junto às pessoas.
Zuckerberg defende a escolha do óculos como o dispositivo ponte para a introdução da superinteligência: “Os óculos são o formato ideal para a superinteligência pessoal, porque permitem que você continue presente no momento enquanto acessa todas essas capacidades de IA para ficar mais inteligente, se comunicar melhor, melhorar sua memória e aprimorar seus sentidos”.
No segundo dia de evento, a ainda Meta abriu seus óculos para os desenvolvedores para fomentar a criação de aplicativos que utilizam as novas funcionalidades, como streaming, AR, softwares de personalização de lives, guias interativos para pessoas com deficiência e muito mais.
Fica claro que mais do que lançar óculos, a Meta está tentando criar um hábito cultural, tornando natural olhar para o mundo enquanto se acessa informações.
*Danilo Nunes, professor, pesquisador da Creator Economy e CVO e sócio responsável pela Thruster Creative Strategy, agência especializada em implementar sistemas de criativos com foco em performance – com atuação nacional e internacional.
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GUSTAVO RODRIGUES SILVA
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