De uma hora para outra, durante a corrida no parque, a partida de tênis ou ainda no treino da academia, vem a surpresa: uma fisgada no calcanhar, um tranco no ombro, um incômodo agudo no quadril. A dor imobiliza e interrompe o treino. E é justamente neste momento nas primeiras duas horas após o trauma que se define grande parte do desfecho da lesão.
O ortopedista e traumatologista esportivo, Dr. Bruno Canizares, explica que a atitude imediata é determinante para evitar sequelas e piora do dano.
“A melhor recomendação, nas primeiras horas, é interromper toda e qualquer carga na região e iniciar um protocolo básico de proteção: compressa fria local, elevação da área lesionada e evitar automedicação sem critério. É nesse intervalo inicial que evitamos sangramento interno maior, edema e queda brusca de função. São minutos decisivos”, afirma.
Segundo o especialista, o corpo humano responde em ciclos e não existe lesão pequena quando mal conduzida. Estudos brasileiros mostram que em corredores amadores, por exemplo, a prevalência de lesões chega de 30 a 40%, com musculatura e articulações inferiores (joelho, panturrilha) como locais mais acometidos. Na natação, o ombro é o ponto de maior vulnerabilidade, com tendinites e bursites sendo o principal tipo de lesão relatada.
“O corpo é programado para dar sinais. O problema é que temos uma cultura de ignorar a dor. A dor não é o inimigo, ela é o aviso. O que fazemos diante desse aviso é que define nosso futuro esportivo”, reforça Dr. Canizares.
Estar em movimento é arcar com as chances de uma lesão inesperada, mas isso não significa parar ou desistir do esporte. Significa compreender padrões e limites. Cada corpo possui características próprias: composição corporal, histórico de mobilidade, vícios de movimento, cargas repetidas nas mesmas articulações. A repetição do mesmo treino por semanas, o excesso de peso corporal, pouco alongamento e ausência de variação de estímulo estão entre os maiores fatores de risco.
Quando se machucar, o que é mais importante?
- Pare imediatamente o exercício
- Aplique gelo por 15-20 minutos
- Não force a área lesionada
- Não use pomadas aleatórias ou remédios sem orientação
- Procure avaliação médica caso a dor persista após 48 horas
E antes de começar a treinar?
- Faça seu check-up ortopédico prévio
- Programe sua carga (volume e intensidade)
- Varie estímulos e modalidades
- Respeite o tempo de repouso
O especialista conclui informando que o corpo não é um lugar de risco e sim um espaço de construção. “A lesão não acontece só porque você treinou, ela acontece porque há um contexto, uma combinação de fatores”.
Sobre o Dr. Bruno Canizares:
Ortopedista e traumatologista do esporte, com vasta experiência clínica no tratamento das condições ortopédicas que afetam ombro, cotovelo e joelho. Com profundo envolvimento no meio esportivo, adquiriu uma compreensão aprofundada das lesões relacionadas à atividade física e das necessidades dos atletas.
Instagram: @drbrunocanizares – Youtube: Dr.BrunoCanizares
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ANA CAROLINE DA SILVA TEBERGA GALVAO
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