Nas escolas públicas localizadas em territórios de alta vulnerabilidade, é comum encontrar dois cenários igualmente desafiadores: jovens que já não sonham — porque a urgência da sobrevivência não lhes dá permissão — e jovens que sonham muito, mas sem nenhuma conexão com o “como”. Entre a descrença e o impulso, falta o elemento que sustenta a ponte entre desejo e realização: educação financeira.
É nesse contexto que surge o Programa 50 Vezes Educação Financeira, iniciativa inovadora da Multiplicando Sonhos, instituição sem fins lucrativos dedicada a promover educação financeira gratuita e acessível como ferramenta de redução de desigualdades. A missão da organização é clara: ampliar oportunidades por meio do conhecimento e colaborar com os setores público, privado e a sociedade civil na oferta de ações educacionais voltadas para capacitação, autonomia e escolhas conscientes.
Sob a liderança do empreendedor social Evandro Mello Farias, CEO-fundador da Multiplicando Sonhos, o programa mobiliza voluntários entre 50 e 75 anos — pessoas que trazem maturidade, repertório e presença — para dialogar com estudantes e adultos da rede pública de São Paulo. Não se trata de substituir o trabalho dos educadores. Pelo contrário: o programa existe porque a escola pública é, e continua sendo, o maior espaço de transformação possível. Os voluntários entram como complemento, nunca como alternativa; como somas, nunca como substituições.
E a soma é potente. Nas palestras e dinâmicas, os 50+ trazem suas histórias, suas escolhas acertadas e seus erros, mostrando que educação financeira não é uma disciplina distante, mas uma ferramenta de vida. É nesse encontro intergeracional — maduro, respeitoso e real — que muitos jovens começam a reconstruir o direito de sonhar e a aprender a transformar vontade em plano.
Os efeitos aparecem de forma discreta, porém profunda. Em uma das escolas, um estudante compartilhou que, depois da palestra, percebeu que vinha se relacionando de forma desordenada com o dinheiro e que poderia — sim — mudar. Ele está prestes a ser efetivado no estágio e já constrói seu primeiro planejamento financeiro. Uma transformação silenciosa, mas concreta. Uma estrela devolvida ao mar, para lembrar a velha fábula.
Para além das histórias individuais, há impacto institucional: diretorias de escola que observam mais engajamento, professores que relatam aumento no interesse dos estudantes e gestores que percebem como a conversa estruturada sobre dinheiro ajuda na construção de autonomia. O programa só existe porque existe escola pública. E é sobre essa parceria — respeitosa, cuidadosa, alinhada ao currículo — que seu sucesso se sustenta.
Em um país onde a falta de perspectiva é uma das maiores barreiras para a juventude, levar educação financeira às escolas não é marketing: é política de inclusão. É criar condições reais para que o “eu quero” encontre caminhos no “como”.
E, quando o “como” chega, os sonhos se reorganizam.
E a vida também.
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ALAIDE EVANGELISTA DA SILVA
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