Novembro Azul: como apoiar emocionalmente quem enfrenta o câncer de próstata

O mês de novembro, tradicionalmente marcado pela campanha Novembro Azul, concentra-se na conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Este é o segundo tipo de câncer mais incidente entre homens no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. 

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2023-2025, esperam-se mais de 71 mil novos casos da doença por ano no país, reforçando a importância de manter o foco na saúde masculina. Receber um diagnóstico de câncer de próstata é, invariavelmente, um momento de grande impacto, gerando ansiedade, medo, incertezas e, muitas vezes, sentimentos que tocam a identidade masculina, como a virilidade e a função sexual. É nesse cenário de fragilidade que o suporte emocional de familiares e amigos se torna um pilar tão crucial quanto o próprio tratamento médico.

A psicóloga clínica Josiele Sena, que também é especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) e Gestão de Pessoas, ressalta que o cuidado com a saúde mental e emocional do paciente e de sua rede de apoio é um pilar igualmente crucial nessa jornada. “A doença não afeta apenas o corpo físico, mas abala profundamente o emocional. É comum que o homem, que muitas vezes é ensinado a ser ‘forte’ e a não demonstrar fragilidade, se sinta sobrecarregado. O papel da família e dos amigos é criar um ambiente de acolhimento, onde ele se sinta seguro para expressar seus medos sem julgamentos”, explica.

O apoio que transcende a ação prática

A especialista esclarece que apoiar não significa apenas ajudar com as tarefas práticas ou ir às consultas, embora isso seja fundamental. O suporte emocional efetivo, segundo Josiele Sena, passa por atitudes como:

  • Escuta ativa e empatia: muitas vezes, o paciente só precisa ser ouvido. A família deve evitar frases clichês como ‘vai dar tudo certo’ e, em vez disso, validar o sofrimento dele: ‘Eu imagino o quanto deve ser difícil passar por isso, estou aqui com você;
  • Respeito à autonomia: ajudar sem “fazer pelo outro” é essencial para que o paciente mantenha o senso de controle sobre sua vida. Mesmo fragilizado, ele precisa sentir-se ativo e participante. Incentivar que ele continue tomando decisões e realizando tarefas que lhe dão prazer é terapêutico;
  • Compreensão em face à mudança de humor: alterações de humor, irritabilidade ou retraimento são reações esperadas ao estresse da doença e do tratamento. A Terapia Cognitivo Comportamental nos ensina que pensamentos negativos e distorcidos sobre o futuro são comuns. A rede de apoio precisa ter paciência, entender que essa regressão ou agressividade é um mecanismo de defesa inconsciente e não algo pessoal contra eles

A importância da saúde mental do cuidador

Josiele faz questão de alertar que o suporte emocional deve ser mútuo. Os familiares e amigos que se dedicam ao paciente também estão sob forte estresse e, muitas vezes, negligenciam a própria saúde mental. 

“É crucial entender que o cuidador também sofre e precisa de auxílio. Você só consegue dar um suporte emocional de qualidade se estiver bem. Buscar apoio psicológico, seja individual ou em grupo, para processar o medo e a frustração, não é egoísmo, é uma necessidade para que a família não adoeça junto”, finaliza a psicóloga.

O Novembro Azul, portanto, é um convite a olhar a saúde masculina de forma integral, reconhecendo o impacto do diagnóstico de câncer de próstata no bem-estar psicológico e a força insubstituível do cuidado conjunto.

Acompanhe o trabalho da Josiele Sena no Instagram: @psicologia.psimind

 

 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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