O que deveria ser uma noite de celebração e música transformou-se em um episódio de brutalidade e terror durante o show das duplas Zezé Di Camargo e Luciano e Vitor e Léo, realizado em Maringá (PR).
Segundo denúncia formal, o evento promovido pela empresa A6 Produções e Eventos Ltda (CNPJ 45.032.951/0001-80), sob a direção de João Vitor Lima Mazzer terminou com uma vítima gravemente ferida, espancada por seguranças e roubada de diversos pertences de alto valor, após denunciar uma fraude no local.
Fraude, reação e início da violência
A vítima relata ter gasto aproximadamente R$ 6.000,00 no evento. Em uma das transações, o valor correto de R$ 620,00 foi lançado dolosamente como R$ 1.240,00, configurando crime de estelionato (art. 171 do Código Penal).
Ao perceber a cobrança irregular, a vítima exigiu o cancelamento, sendo então chamada para falar com o organizador João Vitor Lima Mazzer, que, com arrogância, negou-se a devolver o valor, afirmando que o montante “deveria ser consumido no local”.
Quando a vítima iniciou uma filmagem e informou que chamaria a polícia, Mazzer arrancou o celular de suas mãos, impedindo o registro da prova e caracterizando obstrução de justiça. Em seguida, ordenou aos seguranças:
“Dá uma lição nesse filho da p*! Matem esse filho da p*** na porrada!**”
Espancamento e tentativa de homicídio
A ordem foi cumprida com violência extrema. Cinco seguranças cercaram a vítima e a agrediram com socos, chutes e golpes na cabeça e no rosto, enquanto gritavam ameaças de morte. Durante as agressões, subtraíram aproximadamente R$ 2.000,00 em espécie, um anel de brilhantes, um óculos Ray-Ban Meta, e um relógio Rolex Day-Date 40 de platina, configurando roubo qualificado (art. 157, §2º, II e §2º-A, I do CP).
Ainda tentaram roubar uma bolsa Louis Vuitton Speedy P9 Bandoulière 30 (cor Yuzu, 30 cm), avaliada em R$ 69.500,00, que continha uma câmera Sony Alpha R V (avaliada em R$ 60 mil), sendo impedidos por testemunhas que intervieram corajosamente.
As agressões prosseguiram com dolo homicida, cessando apenas quando um casal de testemunhas conseguiu afastar os agressores. A vítima foi deixada inconsciente e ensanguentada, sem qualquer socorro por parte dos responsáveis pelo evento.
Lesões e estado clínico
O laudo preliminar aponta:
- Três dentes quebrados e outros danificados;
- Fratura do osso nasal e da porção superior do septo;
- Fratura do osso da face e do soalho da órbita esquerda;
- Suspeita de fratura na bacia (ressonância marcada);
- Escoriações generalizadas;
- Dedo do anel e pulso gravemente lesionados devido ao arrancamento violento dos objetos;
- Rosto desfigurado, cabeça inchada e visão reduzida a 20%, com risco de perda total.
Efeitos psicológicos e trauma pós-violência
A vítima apresenta quadro clínico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), com sintomas de ansiedade intensa, insônia, flashbacks, irritabilidade, humor deprimido e hipervigilância constante, conforme descrito por peritos.
Os danos ultrapassam o campo físico, configurando sofrimento mental intenso e duradouro, nos termos do art. 1º, II, da Lei 9.455/97 (Lei da Tortura).
Itens roubados (estimativa de valores)
| Item | Descrição | Valor aproximado |
| Rolex Day-Date 40 Platinum Ice-Blue Arabic | Relógio de luxo | US$ 165.500,00 |
| Anel de brilhantes | Joia em ouro e diamantes | US$ 17.537,00 |
| Louis Vuitton Speedy P9 Bandoulière 30 – Yuzu | Bolsa de luxo, couro Monogram P9 | R$ 69.500,00 |
| Óculos Ray-Ban Meta Wayfarer | Óculos inteligente | R$ 3.469,00 |
| Chapéu Gucci | Acessório de grife | R$ 6.316,00 |
| Dinheiro em espécie | — | R$ 2.300,00 |
Contexto de poder e influência local
Além de empresário do ramo de eventos, João Vitor Lima Mazzer é conhecido em Maringá como cartola e presidente do Maringá Futebol Clube, posição que lhe confere influência política e social significativa na cidade.
Sua ligação com o futebol profissional e com o meio artístico amplia a gravidade do caso, demonstrando o potencial de abuso de poder e a sensação de impunidade com que os crimes foram praticados.
Contexto e repercussão nacional
O caso adquire relevância pública por envolver evento de grande porte, com artistas de renome nacional e ampla cobertura midiática.
Ressalte-se que Victor Chaves, da dupla Victor e Leo, já possui condenação anterior por violência doméstica, o que reforça o debate público sobre impunidade e violência no meio artístico.
O episódio não é apenas um crime isolado, mas um ato de barbárie cometido sob estrutura empresarial, em ambiente de entretenimento, diante de milhares de pessoas.
Conclusão
A denúncia sustenta que João Vitor Lima Mazzer agiu com dolo direto, premeditação e abuso de poder, determinando agressões e roubos com a clara intenção de silenciar a vítima.
Seu comportamento representou um atentado ao Estado de Direito, instaurando o medo e a arbitrariedade onde deveria haver lazer e segurança.
Autoridades policiais e judiciais já foram notificadas, e o caso tende a ganhar repercussão nacional, com impacto político, social e jurídico relevante.
O Ministério Público e a Polícia Civil do Paraná são instados a agir com celeridade e rigor, sob pena de prejuízo irreparável à prova e à memória dos fatos.
Nenhum palco, nome artístico, time de futebol ou poder econômico pode estar acima da lei.
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SANDRO FRAGA LUIZ
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