Jovens da Fundação CASA esbanjam talento no Nós pela Cultura 4.0 em apresentações no Itaú Cultural

Em mais uma edição, a Sala Itaú Cultural, na avenida Paulista, em São Paulo, foi palco para o “Nós pela Cultural 4.0”, um evento que mostrou como a arte e a educação são ferramentas de transformação social para adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Cerca de 70 jovens atendidos em nove centros socioeducativos da Fundação CASA no Estado de São Paulo apresentaram performances artísticas nas mais diversas linguagens, como teatro, dança, música, coral, capoeira, dentre outras, no dia 2 de dezembro. O tema deste ano foi “Sonhos são portas abertas”.

Por trás dos holofotes, também estiveram 12 adolescentes que atuaram ativamente na preparação e montagem do evento, como produtores culturais. Eles participaram entre setembro e novembro deste ano do “Jovens Produtores”, uma formação em produção cultural oferecida pelo Itaú Cultural, que buscou despertar neles a criatividade, o protagonismo e interesse profissional pelo setor da cultura.

Durante a formação, esses jovens exploraram as principais áreas técnicas de atuação dos produtores culturais, como luz, som, cenografia, projeção e transmissão, além de participar de visitas técnicas às instalações do Itaú Cultural.

“Foi uma sensação única ficar nos bastidores, num outro tipo de ambiente, com pessoas diferentes e um novo ramo de trabalho. Nosso sonho é do tamanho do mundo”, afirmou o jovem produtor Gustavo (nome fictício), que cumpre medida socioeducativa no CASA Osasco I, na Região Metropolitana de São Paulo.

“Estava muito ansiosa, porque achava que a prática seria muito diferente da teoria, mas deu tudo certo. Fiquei muito feliz (com o resultado do evento). O curso me despertou a vontade de me aprofundar na produção de eventos”, contou a jovem Bianca (nome fictício), que cumpre medida socioeducativa no CASA Feminino Cerqueira César, na cidade de Cerqueira César, no interior paulista.

A presidente da Fundação CASA, Claudia Carletto, considerou que a dupla participação dos adolescentes no Nós pela Cultura foi inspiradora. “Fosse sobre o palco ou nos bastidores, atuando na produção antes e durante o evento, os jovens mostraram que são capazes quando recebem o melhor estímulo, podendo vislumbrar novos sonhos e traçar um futuro diferente, utilizando a cultura como um elemento para ajudar a construir uma sociedade mais justa e segura”, disse a presidente.

Para o gerente de Arte e Cultura da Fundação CASA, Wellington Araújo, a realização do evento resulta do investimento institucional e da relevância da parceria com o Itaú Cultural. “Nós que acreditamos em educação, temos o dever de aproximar gerações e, ao fazer este evento, trocamos conhecimento e as experiências serão carregadas pelos jovens, que hoje atuaram como produtores culturais, depois de passar por um curso formador do Itaú Cultural”, avaliou.

O evento
O cenário também trouxe um toque para lá de especial, com diversos painéis produzidos por 18 adolescentes dos centros de atendimento Rio Tâmisa, no Complexo do Brás, e Itaquera, na zona leste da capital paulista, tornando-os também parte do processo de produção do evento.

Quatro dos adolescentes dos dois centros de atendimento que estiveram na confecção, participaram de um breve talk show, durante o evento, para falar sobre como foi o processo criativo e os significados das obras. O âncora do talk show foi um dos adolescentes que atuaram como Jovens Produtores, que cumpre medida socioeducativa no CASA Osasco I.

A plateia viu os jovens do CASA Vitória Régia, de Lins, apresentar o espetáculo de teatro e música “Retirantes”. Os adolescentes do CASA Atibaia trouxeram a “Roda de Curimbeiros”, usando as linguagens de teatro e música. A trupe de jovens do CASA São José do Rio Preto ressurgiu com o teatro da “Escolinha Professor Girafales”, inspirado no seriado Chaves.

Outras linguagens estiveram representadas pelas adolescentes do CASA Feminino Anita Garibaldi, de Cerqueira César, que mostraram a dança “Havaiana”. Os jovens do CASA Sertãozinho dançaram diversos ritmos no palco durante a “Discoteca”.

A cultura afro brasileira esteve representada no número de maculelê das jovens do CASA Feminino Diadema.

Os jovens do CASA Esperança, de Itapetininga, tocaram canções ao violão inspiradas nas aulas do Guri, programa de educação musical do Governo do Estado de São Paulo, realizado pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e gerido pela Santa Marcelina Cultura.

O coral do CASA Rio Tâmisa cantou em homenagem à icônica Inezita Barroso, cantora, pesquisadora e instrumentista da cultura caipira. Já os adolescentes do CASA Taubaté resgataram “O Som do Tambor”, com músicas ritmadas na percussão.

Sobre a Fundação CASA
A Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Atendendo jovens de 12 a 21 anos incompletos em São Paulo, a Fundação executa medidas de privação de liberdade e semiliberdade, determinadas pelo Poder Judiciário, garantindo os direitos previstos em lei, pautando-se na humanização, e contribuindo para o retorno do adolescente ao convívio social. Mais informações em: https://fundacaocasa.sp.gov.br/.

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CAMILA APARECIDA DE SOUZA
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