O ciclo menstrual é frequentemente associado a alterações de humor, mas para uma parcela significativa de mulheres, esse impacto é avassalador. Cerca de 8% das mulheres em idade reprodutiva sofrem com o Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM), um quadro que pode provocar depressão, crises de ansiedade e até mesmo levar ao afastamento do trabalho e à deterioração dos relacionamentos. O Dr. Rafael Fantin, Endocrinologista e Metabologista, especialista em Medicina do Exercício e Esporte, Prática Ortomolecular e Nutrigenômica, explica que a chave para entender essa montanha-russa emocional reside na intrincada dança dos hormônios sexuais e sua influência direta na química cerebral.
A mulher possui uma produção hormonal cíclica, onde o estrogênio domina a primeira metade do ciclo e, após a ovulação, há um aumento amplificado, acompanhado pela progesterona. No final do ciclo, a queda acentuada de ambos é o gatilho. “Esses hormônios são responsáveis pela produção de neurotransmissores que estão associados à emoção, capacidade cognitiva e bem-estar geral. Por isso, a sensação de modificação do bem-estar está diretamente atrelada ao ciclo menstrual,” afirma Dr. Rafael.
O especialista detalha o papel crucial de cada hormônio: O Estrogênio estimula a produção de serotonina, responsável pela disposição e, paradoxalmente, pela redução da reatividade, trazendo leveza e também de dopamina e noradrenalina, que conferem ânimo, foco e energia. A Progesterona atua sobre o sistema GABAérgico, que é inibitório, promovendo relaxamento, serenidade e qualidade do sono.
Na TPM e, principalmente, no TDPM, o problema reside na hipersensibilidade da mulher à fase de queda desses hormônios. “O que acontece é um aumento da sensibilidade às flutuações hormonais na fase de declínio, levando à redução de serotonina, dopamina, noradrenalina e GABA. Isso deixa a mulher irritada, de pavio curto ou chorosa, deprimida e com os nervos à flor da pele. Não necessariamente ocorre uma alteração na produção hormonal, mas sim uma sensibilidade aumentada a essa flutuação,” explica Dr. Fantin.
Em alguns casos, a causa é a síndrome de predominância estrogênica, seja por produção excessiva (ovariana ou pelo tecido adiposo), por disbiose intestinal que reabsorve mais estrogênio, ou por falhas na detoxificação hepática que eliminam menos o hormônio. “Quanto mais estrogênio, maior a queda e, portanto, maiores os sintomas. Além dos sintomas de alteração de humor, o estrogênio, que é mais pró-inflamatório, leva à retenção de água e queixas físicas, como edema, cólica menstrual, dores de cabeça e inchaço nas mamas. O Transtorno Disfórico se distingue da TPM comum exatamente pelo grau de intensidade que interfere na vida social, conjugal e profissional,” pontua o endocrinologista.
Ele ainda alerta que as abordagens convencionais, como o uso contínuo de contraceptivos hormonais para reduzir a flutuação ou a prescrição isolada de antidepressivos/ansiolíticos, não resolvem o problema e podem até mascarar ou agravar o quadro a longo prazo, pois não corrigem as disfunções endócrinas e metabólicas de base.
“Os sinais de alerta para buscar ajuda são quando a paciente se vê cercada por sintomas que dificultam o relacionamento com os outros e queixas físicas persistentes no final do ciclo que não melhoram apenas com o acompanhamento psicológico. Acredito que, por essas queixas estarem associadas a disfunções endócrinas, metabólicas e nutricionais, essa busca deve acontecer desde o início,” defende o médico.
A solução, segundo o Metabologista, está no tratamento que atua na causa da hipersensibilidade e na correção dos desequilíbrios subjacentes.”Devemos pensar: por que essa paciente sente de forma tão intensa essa flutuação hormonal? Será que há resistência à insulina, estresse oxidativo crônico, inflamação silenciosa? O tratamento deve ser feito por meio da correção nutricional, mitocondrial, inflamatória e hormonal. Corrigindo a base, estimulamos a homeostase, com sono de qualidade, atividade física regular e produção hormonal e de neurotransmissores adequada,” ressalta.
Rafael destaca que o tratamento biomolecular envolve o fornecimento de matéria-prima (aminoácidos essenciais como 5-HTP e tirosina), cofatores (vitaminas B6 e D, magnésio), adaptógenos para o estresse crônico (ashwagandha, rhodiola) e fitoterápicos para a metabolização hormonal inadequada (resveratrol e DIM). Por fim, o Dr. Fantin lembra que a TPM elevada é um alerta para disfunções em outros sistemas, como o intestinal, e para o maior risco de condições mais graves, como endometriose e, em longo prazo, câncer de mama e endométrio, reforçando a urgência de uma abordagem integrada.
Acompanhe o trabalho do Dr. Rafael Fantin nas redes sociais: @dr.rafaelfantin | institutorafaelfantin.com.br
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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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