A comunidade de Boa Vista, em Castanhal (PA), se prepara para um marco em sua história. No dia 15 de novembro, será inaugurada a nova sede modelo da biblioteca comunitária da Vaga Lume, símbolo da força coletiva e do compromisso com um futuro sustentável. A abertura acontece em meio às mobilizações da COP 30, como exemplo concreto de ação comunitária na Amazônia voltada à educação, à valorização dos saberes locais e ao respeito ao meio ambiente.
O projeto nasce de um desejo antigo da comunidade, que há anos mantém uma biblioteca viva e participativa, dedicada à leitura e à troca de saberes tradicionais. Agora, com sede própria, esse sonho ganha forma em uma construção planejada para dialogar com o território e valorizar o que é local. Toda a madeira usada vem de manejo florestal certificado, e a estrutura contará com painéis solares, fruto do apoio com a empresa 3E Energia, reduzindo o consumo de energia e o impacto ambiental.
Mais do que uma biblioteca, a nova sede será também um centro de convivência e abrigará mediações de leitura, celebrações tradicionais e encontros que fortalecem os laços entre moradores, reafirmando o papel da biblioteca como coração cultural da comunidade. “Sou voluntária da biblioteca Carlos Alberto Xavier de Morais há anos e ver a construção do novo espaço se tornar realidade é a realização de um sonho coletivo. É fruto de muita persistência e de um trabalho feito em conjunto por todos que acreditam na força da leitura. A cada tijolo erguido, sentimos que nosso esforço valeu a pena. É uma emoção imensa acompanhar de perto esse processo e ver que aquilo que parecia distante está, enfim, acontecendo dentro da nossa comunidade”, conta Genny de Moraes, que há mais de uma década se dedica às atividades da instituição.
Para Nathalia Flores, gerente de Educação da Vaga Lume, a inauguração representa mais do que a entrega de um novo espaço físico, afinal reconhece a força local e o poder transformador da gestão comunitária. “Esta biblioteca traduz o que a Vaga Lume acredita: que o desenvolvimento e a sustentabilidade do território nascem quando os próprios moradores lideram e protagonizam o projeto. O resultado coletivo é mais consistente e isso reflete o espírito dessa comunidade criativa, acolhedora e comprometida com os valores da Amazônia”, diz.
A trajetória dos moradores de Boa Vista com a Vaga Lume é marcada pelo engajamento e pela atuação dos jovens. Adrian e Sâmia, participantes do projeto Protagonismo Juvenil, apoiado pelo Criança Esperança, hoje lideram atividades na biblioteca e foram protagonistas na Semana da Amazônia, reforçando o papel das novas gerações como agentes de mudança. Foi também nesta comunidade que nasceu o manifesto “Vozes das Juventudes pela Amazônia”, um chamado para que líderes e autoridades ouçam quem sente, na prática, os efeitos das mudanças climáticas.
Projetada pela arquiteta Beatriz Meyer, a nova sede une arquitetura e natureza em harmonia. O espaço é amplo, iluminado e ventilado, com varanda e grandes portas que se abrem para a paisagem verde ao redor, criando um convite para ler, compartilhar histórias e viver a floresta em sua plenitude.
“Às vésperas da COP 30, a inauguração da biblioteca em Boa Vista simboliza não apenas um investimento em educação e cultura: é também uma solução amazônica construída com madeira nativa oriunda de plano de manejo florestal com declaração de origem, energia limpa em resposta ao desafio ambiental e climático global. Ouvir vozes das juventudes e das comunidades possibilitou uma entrega de valor, pertencimento, que aponta novos caminhos possíveis”, conclui Flores.
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NAYANNE MARIA DOS REIS MOURA
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