Boeing 727-200 da Total Linhas Aéreas, símbolo da enchente de 2024, passa a integrar acervo do Museu Militar de Panambi

O Boeing 727-200 da Total Linhas Aéreas, que se tornou uma das imagens mais marcantes da enchente que atingiu Porto Alegre em 2024, ganhou um novo destino. A aeronave, que ficou ilhada pela água no Aeroporto Salgado Filho, foi doada ao Museu Militar Brasileiro de Panambi, no Noroeste do Rio Grande do Sul. A iniciativa foi conduzida sob a gestão do CEO Paulo Almada, que afirma que a decisão representa “a transformação de um episódio crítico em legado cultural e ambiental”.
 

Crédito: Gustavo Mattos

A doação foi definida após avaliação técnica que apontou que a aeronave não poderia voltar a operar. O gesto da Total Linhas Aéreas ganha relevância por sua dimensão simbólica: o Boeing 727-200, último modelo do tipo ainda em atividade no país, transforma-se agora em um registro físico da maior tragédia climática recente do Rio Grande do Sul. Com a destinação ao museu, aquilo que antes representava a destruição passa a integrar a memória oficial da aviação e do período das enchentes, preservando um capítulo importante da história do estado.
 


A remoção da aeronave exigiu uma das maiores operações logísticas realizadas no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Técnicos desmontaram parte da fuselagem e organizaram o transporte rodoviário em carretas especiais, cruzando diferentes municípios gaúchos até chegar a Panambi. Moradores acompanharam o deslocamento pelas estradas, registrando o trajeto nas redes sociais, um movimento que reforçou a ligação emocional construída em torno do avião desde 2024.
 


Crédito: Gustavo Mattos

 

Com a incorporação ao acervo, o museu estuda diferentes possibilidades de uso para o Boeing 727-200. Entre as propostas estão transformar o interior da aeronave em auditório temático, espaço educativo ou atração turística, preservando suas características originais. Segundo a administração da instituição, o avião deve se tornar “uma das peças de maior impacto visual e histórico já recebidas”.

Para a Total Linhas Aéreas, o episódio também marca um novo capítulo na imagem da companhia. Tradicional no transporte de cargas e fretamentos corporativos, com mais de três décadas de atuação, a empresa reforça seu compromisso com responsabilidade social e sustentabilidade. Paulo Almada afirma que a decisão de destinar a aeronave ao museu evita o descarte de toneladas de material aeronáutico e se alinha à visão ambiental adotada em sua gestão.
 

Crédito: Gustavo Mattos
 
A inclusão do Boeing 727-200 no museu consolida um movimento de ressignificação iniciado ainda durante o desastre. Se em 2024 o avião se tornou um símbolo da enchente, agora ele passa a integrar um esforço de preservação da memória coletiva e valorização do patrimônio histórico da aviação brasileira, carregando consigo o nome da Total Linhas Aéreas e de seu CEO, Paulo Almada, nessa reconstrução simbólica.
 

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Erica Matos
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