Na plenária dedicada à ética e códigos de conduta na Análise do Comportamento Aplicada (ABA), a psicóloga e doutora em Psicologia Ana Karina Leme Arantes apresentou uma reflexão profunda sobre o que significa atuar de forma ética quando se trabalha com crianças autistas e suas famílias. Partindo de sua experiência como analista do comportamento e formadora de profissionais, ela destacou que crianças e pessoas com deficiência estão em situação de alta vulnerabilidade, o que exige atenção redobrada às assimetrias de poder presentes na relação entre clínicos, famílias, escolas e financiadores do tratamento.
Ana Karina explicou que, além das leis e dos códigos de ética das profissões de origem (como Psicologia), a prática em ABA demanda diretrizes específicas que traduzam princípios gerais em critérios concretos para o dia a dia: o que nunca se pode fazer, quais salvaguardas são indispensáveis e como minimizar riscos enquanto se busca o maior benefício possível para o cliente e sua família. Nesse contexto, apontou os códigos de ética de agências certificadoras internacionais em ABA como documentos particularmente completos para orientar decisões sobre confidencialidade, intensidade de intervenção, manejo de dados sensíveis e relações entre analistas, supervisores, terapeutas de linha de frente e cuidadores.
Outro ponto central da palestra foi a necessidade de considerar a família como parte do foco ético da intervenção, e não apenas como coadjuvante. Ao discutir modalidades como intervenção via cuidadores, Ana Karina ponderou que é preciso equilibrar o potencial transformador desse formato, especialmente em contextos de baixa renda, com cuidados para não invadir a privacidade do lar nem transformar mães e pais em “aplicadores de protocolo” em detrimento do papel de cuidadores. Segundo ela, definir habilidades que realmente melhorem a qualidade de vida em casa, com alta validade social, é tão ético quanto seguir qualquer manual técnico.
Por fim, a palestrante reforçou que a ética em ABA não se resume a evitar sanções, mas a construir práticas que respeitem escolhas, limites e contextos de cada família. Isso inclui adaptar a comunicação (uso de linguagem clara, escrita, visual, repetida), reconhecer que pais e responsáveis também podem ter autismo ou outras condições que exigem suporte na compreensão das orientações, e lembrar que clientes e famílias têm o direito de recusar propostas interventivas. Para Ana Karina, códigos de ética são ferramentas de proteção compartilhada: orientam profissionais, resguardam famílias e ajudam a consolidar uma ABA mais responsável, humana ealinhada à realidade brasileira.
Conexão com a programação
Palestrantes como Natalie Brito Araripe, Aída Teresa dos Santos Brito e Lucelmo Lacerda complementam o time, reunindo 16 horas presenciais para especialistas, terapeutas e famílias. Espaço Kids gratuito (3-10 anos) e oficinas eco-artísticas garantem acolhimento total. Confira a cobertura do evento no @lunaeducacao
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PAULA FRANCO BATISTA
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