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ABIPEA CONNECT 2025 reúne lideranças e inaugura nova fase institucional da indústria adulta brasileira

 

No Hotel Gran Mercure Ibirapuera, em São Paulo, a primeira edição do ABIPEA CONNECT reuniu lideranças, especialistas, plataformas, juristas, profissionais de educação e autoridades para discutir um tema que já não pode mais ser adiado: a responsabilidade digital e a proteção de crianças e adolescentes em um ambiente digital cada vez mais complexo.

Idealizado pela ABIPEA – Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto, o encontro foi marcado por um dia inteiro de debates técnicos, conversas francas, tensões necessárias e um forte espírito de cooperação entre os setores público e privado. 

 

Ao lado de membros fundadores e convidados, a presidente da ABIPEA, Paula Aguiar entregou o Certificado de Associado Número 1 à psicóloga e referência nacional em sexualidade Tatiana Presser, simbolizando o início de uma nova fase institucional da associação.

 

O momento seguinte marcou uma virada estratégica: a Secretária Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Dra. Lílian Cintra de Melo, recebeu oficialmente o Manifesto de apoio ao ECA Digital — documento elaborado por Samuel Ongaratto, Vinicius Conrad e finalizado por Mayumi Sato, e assinado no palco por todos eles. A entrega foi seguida de uma apresentação clara e objetiva da Secretária sobre os pilares da nova legislação.


 

ECA Digital, implicações legais e as primeiras respostas da indústria

 

Dra. Lílian traçou um panorama dos objetivos da ECA Digital, destacando que a lei é “inevitável, necessária e urgente” diante da quantidade crescente de violações envolvendo menores no ambiente online. A abordagem foi seguida pelos especialistas. Dra. Beatriz de Freitas Alves Vicente e Dr. Fernando Bousso, que detalharam as responsabilidades legais das empresas, os riscos jurídicos da não conformidade e o impacto direto da legislação sobre plataformas digitais e players do setor adulto.

 

Em um dos momentos mais técnicos da manhã, a equipe da ABIPEA apresentou a RTA.ABIPEA, metatag gratuita criada pela associação para sinalizar conteúdo adulto. A iniciativa foi recebida com entusiasmo por empresas e desenvolvedores presentes, que agora contam com um recurso padronizado e simples para categorizar sites e adequá-los à legislação.

 

Na sequência, Debora Sena e Renato Piparo explicaram — de maneira bastante didática — como funciona o sistema de verificação de idade da Incode, utilizado em diversos países. Mostraram vantagens, limitações, desafios de implementação e o equilíbrio entre segurança e experiência do usuário.

 

Algoritmos, educação sexual e desafios culturais

 

Mediado por Nizzo Neto, o primeiro painel reuniu André Lopes, Fabyola Rodrigues, Luciane Cabral e Dr. Paulo Tessarioli — e rapidamente se tornou um dos momentos mais ricos do evento.

 

Provocados por uma pergunta do público sobre como plataformas diferenciam educação sexual de pornografia, André Lopes foi direto: “Resumindo: o algoritmo é burro.” O perito defendeu que nenhuma plataforma vai conseguir proteger crianças sem curadoria humana, análise de contexto e monitoramento qualificado.

 

A penalista Fabyola Rodrigues acrescentou que a Lei Felca criará um divisor de águas ao obrigar plataformas a fornecer evidências digitais robustas em investigações de abuso — acelerando processos e reduzindo impunidade.

 

Quando a conversa chegou ao comportamento de crianças e adolescentes no digital, Luciane Cabral relatou casos reais de jovens que não conseguem distinguir descoberta da sexualidade de consumo de pornografia. Um sintoma de uma lacuna educacional profunda.

 

O sexólogo Dr. Paulo Tessarioli reforçou que educação digital e educação sexual ainda estão ausentes de casas e escolas: “Não dá para conceber o mundo da criança com a cabeça de adulto.” Ele criticou a adultização precoce e a displicência de muitos tutores.

 

Ao final, o painel deixou um recado claro: a ECA Digital não é um desafio apenas tecnológico ou jurídico. É cultural.

 

Reflexões globais, perspectivas de plataformas e choque de realidade

 

A segunda metade do ABIPEA CONNECT foi marcada por três apresentações de impacto.

 

Silvana Zigoski, gerente de Marca e Comunicação do Skokka, trouxe uma visão internacional sobre ética, responsabilidade corporativa e proteção digital em uma plataforma presente em 29 países.

Samuel Ongaratto, CEO da Fatal Model, destacou que nunca houve tamanho alinhamento entre empresas, governo e especialistas: “O ABIPEA CONNECT colocou na mesma sala todos os protagonistas necessários para a conformidade da ECA Digital.”

 

Mas o maior choque veio com Dr. Flávio Rolim, Delegado da Polícia Federal. Em uma fala direta e contundente, apresentou dados alarmantes sobre crimes digitais contra menores. Seu apelo para que a indústria adulta atue de forma ativa na prevenção foi aplaudido de pé.

 

Fechando a parte técnica do evento, Camila Voluptas mediou o painel com Camila Gentile, Graça Tesarioli e Ruth Gonçalves. O trio discutiu obstáculos operacionais, impactos financeiros, maturidade do mercado, questões de liberdade de expressão e as expectativas reais para 2026.

 

Mais do que um evento, o ABIPEA CONNECT 2025 foi um ponto de convergência entre governo, especialistas e a indústria adulta — um chamado conjunto para responsabilidade, educação, transparência e inovação.

 

A partir daqui, o desafio é claro: transformar o diálogo em prática e construir um ambiente digital mais seguro para todos, especialmente para quem mais precisa de proteção.

 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JULIANNA SANTOS GOMES
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