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“Filhos resilientes não se criam sozinhos”, afirma psicóloga durante palestra em Alphaville

A Escola Internacional de Alphaville promoveu, na última terça-feira (21), a palestra “Parentalidade positiva e o papel das virtudes na vida em família”, ministrada pela psicóloga Miriam Rodrigues, idealizadora da Educação Emocional Positiva e referência nacional em estudos na área da psicologia positiva e educação socioemocional. O encontro reuniu famílias da comunidade escolar em uma manhã de reflexões e trocas sobre como fortalecer vínculos e educar filhos emocionalmente saudáveis em meio aos desafios reais e digitais do mundo atual.

Durante a palestra, Miriam destacou que a educação emocional é um processo contínuo e compartilhado, que depende da presença e do exemplo dos adultos. “Filhos resilientes não se criam sozinhos. É uma construção diária de vínculos, limites e virtudes”, afirmou. Segundo ela, o maior aprendizado vem das relações cotidianas, quando pais e filhos se conectam de forma genuína. “O melhor lugar do mundo é dentro de um abraço. As crianças precisam sentir segurança e cuidado para desenvolver autonomia e competência.”

A psicóloga abordou ainda o que chama de “necessidades emocionais básicas”: vínculos seguros, validação das emoções, limites realistas, espontaneidade e lazer. Ela explicou que quando os pais reconhecem as verdadeiras necessidades por trás das atitudes dos filhos, e usam de estratégias apropriadas para cada uma delas, contribuem para a formação de personalidades mais saudáveis e prevenidas contra problemas emocionais como ansiedade e baixa autoestima. “Quando ensinamos as crianças a nomear e compreender suas emoções, ajudamos a desenvolver autocontrole, empatia e responsabilidade”, destacou.

Um dos pontos de maior reflexão propostos pela especialista aos pais e responsáveis presentes durante a palestra foi o paradoxo da parentalidade contemporânea, que segundo Miriam, alterna “superproteção no mundo real e subproteção no mundo virtual”. A especialista alertou que o excesso de controle sobre experiências físicas e o descuido com o ambiente digital têm impactado o equilíbrio emocional das novas gerações. “Precisamos permitir que nossos filhos experimentem o mundo, corram riscos proporcionais à idade e aprendam com as frustrações. É assim que se constrói autonomia e competência”, afirmou.

Miriam também apresentou exemplos práticos sobre como tornar o dia a dia em família um espaço de aprendizado e vínculo. Para ela, a escuta deve sempre vir antes da correção, e educar é um processo contínuo, feito de presença e paciência. “Não importa o que aconteça, se conecte antes de corrigir. Primeiro, acolha a emoção; depois, dê a instrução. Essa ordem muda tudo”, orientou. Cada criança ou jovem, carrega as suas próprias características e precisamos reconhecer cada personalidade, pois os filhos não são iguais: embora nascidos da mesma família, vão apresentar necessidades diferentes.

Outro ponto fundamental para lidar com os jovens é trabalhar a autonomia, o que não quer dizer liberdade. Autonomia é reconhecer as suas responsabilidades e receber as consequências relativas aos seus atos. Para os adolescentes, a psicóloga orientou que os pais utilizem o “jogo das perguntas”, dando a orientação em forma de questões para que o jovem sinta que tomou a decisão por conta própria. Miriam também deixou uma reflexão sobre a necessidade de valorizar o processo, e não apenas o resultado. “A direção é mais importante, aonde se quer chegar é mais importante do que a velocidade.”

A palestra integrou as ações do Programa de Convivência Ética e Ciência do Bem-Estar da Escola Internacional de Alphaville, que busca aproximar escola e famílias na construção de uma cultura voltada ao bem-estar, à saúde emocional e à formação de competências éticas e morais para a vida. Ao encerrar o encontro, a gestora da EIA, Ana Claudia Favano, reforçou a missão da instituição ao promover o evento.

“A escolha de trazer Miriam Rodrigues, uma referência em Educação Emocional Positiva, reforça nosso comprometimento em atuar lado a lado com os pais, embasados pela ciência”, declarou. “Ela não é apenas uma palestrante, mas uma inspiração para a educação que valida a ciência e a filosofia positiva, e que está engajada em contribuir para a nossa cultura. Sem dúvida ao final do dia, toda a nossa comunidade saiu com grandes aprendizados, beneficiada por reflexões importantes e benefícios reais para o dia a dia da educação”, finalizou.

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VAGNER ADACIANO DE LIMA
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