Um projeto brasileiro que une ciência, urbanismo e conservação ambiental conquistou destaque internacional ao ser apresentado no American Society of Landscape Architects 2025 (ASLA), em New Orleans, Estados Unidos, um dos principais eventos mundiais da arquitetura paisagística. A iniciativa, intitulada “Abordagem Ecológica para Aprimorar a Biodiversidade em uma ‘Tree City of the World’”, propõe estratégias concretas para conciliar a expansão urbana de Goiânia com a preservação da biodiversidade e o bem-estar social.
Ciência aplicada ao urbanismo
O cientista Renê G. S. Carneiro, que atua na UFG, sublinha o caráter inovador da pesquisa ao aproximar a academia da vida cotidiana. “A relevância está em aplicar os dados gerados pela ciência básica, com impactos diretos percebidos não só pelos cientistas, mas pela sociedade. Estamos transformando dados em ações concretas para preservar o que ainda resta e sensibilizar a população sobre a importância do bioma”, ressalta Carneiro. Para o arquiteto paisagista e botânico Marcelo T. Kubo, o diferencial do projeto está em colocar a ecologia no centro das decisões urbanas, traduzindo conhecimento técnico em ferramentas práticas de planejamento.
Reconhecimento e impacto internacional
A participação no congresso da ASLA, que reúne profissionais de diversos países, projetou o trabalho dos brasileiros no cenário internacional.“Estar neste palco é uma grande realização. O tema deste ano, ‘Além das Fronteiras’, reforça a presença de uma equipe multidisciplinar que traz o Cerrado sob uma nova perspectiva”, destaca Patrícia Akinaga. O painel despertou interesse e reconhecimento do público de arquitetos paisagistas, urbanistas, estudantes, professores, gestores públicos e organizações não governamentais. “Recebemos agradecimentos por apresentar o Brasil e um bioma pouco conhecido, com uma abordagem científica e sensível. Isso valoriza o trabalho que conduzimos há mais de 20 anos”, completa a arquiteta .
Ciência e gestão pública trabalhando juntas
A parceria entre a Universidade Federal de Goiás (UFG), com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG), e a Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA) é apontada como um dos pilares do sucesso do projeto. Por meio dessa colaboração, as informações levantadas pelo masterplan podem ser convertidas em políticas públicas e planos de investimento ambiental, permitindo uma aplicação mais eficiente dos recursos públicos. “Com o apoio da UFG e da AMMA, podemos estabelecer prioridades orçamentárias e implementar ações de forma imediata para mitigar problemas com soluções de maior impacto” , destaca Patrícia Akinaga. Além disso, o projeto incentiva a participação social, promovendo atividades educativas em escolas e fortalecendo o vínculo entre a população e os parques urbanos. Patrícia destaca que o plano é adaptável a outras realidades urbanas: “A metodologia pode inspirar outras cidades a tratarem a biodiversidade como eixo central nas suas políticas públicas”, afirma.
Segundo Renê Carneiro, a integração entre pesquisa e gestão pública potencializa a efetividade das políticas ambientais. “O conhecimento gerado é compartilhado com gestores e consultores, permitindo decisões mais precisas e melhor uso dos recursos públicos”, conclui. Com base em ciência, arquitetura paisagística e compromisso social, o masterplan liderado por Patrícia Akinaga, Marcelo T. Kubo aliado à pesquisa da UFG demonstra como o urbanismo e a arquitetura paisagística podem atuar como instrumento de conservação e regeneração ecológica — e colocam Goiânia e o Cerrado no mapa das discussões globais sobre sustentabilidade, planejamento urbano e mudanças climáticas.
Sobre os autores
Patrícia Akinaga – arquiteta paisagista, arquiteta e urbanista, com mestrado em Arquitetura Paisagística pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e doutorado pela Universidade de São Paulo na área de Paisagem e Ambiente. Com mais de 30 anos de experiência, participou de projetos em diversos países, incluindo parques, revitalizações de rios, equipamentos culturais e sítios históricos. Atua como crítica convidada em universidades nos EUA e no Brasil, é consultora da ONU (UNGM), líder de prática no Brasil e nos Estados Unidos E e membro do Biodiversity and Climate Action Plan Committee pelo núcleo da Flórida (USA).
Marcelo T. Kubo – arquiteto paisagista, urbanista e botânico. Doutor em Ciências Biológicas (Botânica) pela USP, tem colaboração com o Jardim Botânico Real de Kew (Reino Unido) e atua há mais de 15 anos em projetos de parques urbanos, revitalização de rios e educação científica. Em 2021 teve projeto financiado pela National Geographic Society e é Explorador da National Geographic desde então.
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FABIANA HENRIQUE
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