Nos últimos meses, operações policiais em São Paulo, Goiás e Minas Gerais revelaram uma onda de golpes envolvendo a venda consignada de veículos. Esse tipo de negociação, comum em lojas e concessionárias, permite que o proprietário deixe o carro à venda e receba o pagamento apenas após a revenda. O problema é que quadrilhas têm usado esse modelo para aplicar fraudes sofisticadas que afetam tanto quem vende quanto quem compra.
Em São Paulo, três suspeitos foram presos por vender carros de luxo em consignação e desaparecer com o dinheiro. O grupo atuava em uma loja na zona norte da capital e é investigado por enganar cerca de 50 vítimas, causando prejuízo superior a R$ 6 milhões.
Em Goiânia, um casal de empresários é acusado de aplicar golpes em mais de 100 clientes, usando diferentes artifícios como transferências falsas e cheques sem fundo. O valor total das perdas pode passar de R$ 10 milhões, segundo a Polícia Civil. Já em Belo Horizonte, o dono de uma agência de luxo foi detido por esquema semelhante que deixou ao menos 20 vítimas e prejuízo de R$ 2 milhões.
Como funcionam os golpes
Os golpistas se aproveitam da confiança natural entre vendedor e loja. Após o veículo ser deixado em consignação, eles o vendem e não repassam o valor ao dono, nem entregam o carro ao comprador. Em alguns casos, o comprador paga integralmente, mas nunca recebe o bem. A aparência de legalidade é reforçada por contratos e endereços de alto padrão, o que dificulta a identificação da fraude.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) vem mantendo condenações nesse tipo de crime, reconhecendo o dolo mesmo quando o acusado alega falência ou dificuldade financeira. Em maio, a corte confirmou a pena de um comerciante que vendeu um carro consignado e reteve o pagamento, em decisão considerada um alerta para o mercado.
Cuidados essenciais antes de consignar ou comprar
Para evitar prejuízos, especialistas recomendam verificar a reputação da loja e formalizar o contrato de consignação com cláusulas claras sobre valores e prazos. O proprietário não deve assinar o documento de transferência antes da confirmação da venda, e o comprador deve exigir comprovantes e recibos detalhados.
Outra medida preventiva é consultar o histórico do veículo antes de qualquer negociação. Plataformas como a Motor Consulta permitem identificar restrições judiciais, débitos, histórico de leilões, sinistros e bloqueios administrativos, o que ajuda a garantir mais segurança nas transações. Essas informações podem indicar se o carro tem pendências que inviabilizem a transferência ou se já esteve envolvido em ocorrências anteriores.
O aumento dos casos mostra que o golpe da consignação não se limita aos carros de luxo. Modelos populares também são alvos frequentes, e o prejuízo pode ser bem alto, mesmo em vendas de menor valor. Para quem compra ou revende, o cuidado com a documentação e a checagem prévia de dados continuam sendo as melhores formas de proteção diante de um mercado cada vez mais sujeito a fraudes.
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DANIEL CORREA RODRIGUES
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