Lunares retoma projeto interrompido pela pandemia com psicodelia e peso em “Triptofano”

Lunares
Matheus Perisse

Single instrumental do trio carioca chega pela Algohits e abre caminho para o primeiro EP da banda, realizado pelos selos Abraxas e Urutu Discos

Seis anos depois de gravar seu primeiro EP, o Lunares finalmente recoloca o projeto em circulação. O trio carioca lança “Triptofano”, single instrumental já disponível nas plataformas digitais pela Algohits, como primeiro passo para a chegada do trabalho homônimo, realizado pelos selos Abraxas e Urutu Discos.

Gravada no início de 2020, no Estúdio Terra, a música teve o lançamento adiado pela pandemia. O intervalo, no entanto, não diluiu a identidade do grupo: em “Triptofano”, o Lunares entrega uma faixa de dinâmica intensa, que alterna contemplação, riffs de guitarra, improvisação e psicodelia pesada.

Formado por Bauer França, Guilherme Vaz e Vicente Barroso, o trio nasceu no Rio de Janeiro e constrói uma sonoridade instrumental alimentada por referências de hard psych, rock progressivo, stoner rock e fusion. Composta por Guilherme Vaz, a faixa coloca a guitarra no centro da narrativa, ocupando o espaço normalmente reservado à voz.

O título vem do triptofano, aminoácido associado à produção de serotonina e à regulação do sono. A escolha funciona também como imagem para a escuta proposta pela banda: uma faixa que convida a suspender a rotina e acompanhar as mudanças de clima, peso e intensidade do arranjo.

“‘Triptofano’ foi uma das primeiras músicas apresentadas pelo Lunares e, desde os primeiros ensaios no Coletivo Machina, era a que mais parecia definir a identidade da banda. Sempre nos sentimos bem tocando essa faixa, e o nome vem um pouco disso. Produzir esse tipo de som instrumental e pesado sempre foi instigante para nós”, explica Bauer França, baixista do trio.

O EP homônimo terá quatro faixas e foi produzido pelo próprio Lunares, com coprodução de Daniel Duarte e Francisco Patetucho. O percussionista Tom Andrade participa de todo o repertório; Patetucho também assina a mixagem, a masterização e os sintetizadores.

As bases foram registradas ao vivo para preservar a troca entre os músicos e abrir espaço para improvisos. Nomes como Earthless, Psilocibina e Quarto Astral ajudam a situar o universo de referências do grupo, que prioriza arranjos diretos e uma construção sonora guiada pela guitarra e por blocos rítmicos.

A retomada ganha ainda mais força pela história recente dos integrantes. Atualmente, Guilherme vive em Lisboa, Bauer permanece no Rio de Janeiro e Vicente mora em São Paulo. O reencontro do trio aconteceu em 2024, com apresentações no Rio e em São Paulo, e foi decisivo para que o material gravado antes da pandemia finalmente encontrasse seu destino.

“Tocar essas músicas é um momento de escape da rotina. Também é um prazer reencontrar pessoas que, mesmo com o passar dos anos, continuaram acompanhando e valorizando nosso trabalho. Agora queremos voltar aos shows, lançar as outras faixas, compor e nos divertir juntos novamente”, completa Bauer.

“Triptofano” chega acompanhado de um visualizer com imagens de shows realizados em São Paulo, em 2024, aproximando o registro atual da energia que a banda pretende levar de volta aos palcos.

Criado em 2016, o Lunares nasceu no Coletivo Machina, espaço da Lapa que funcionou como estúdio, casa de shows e ponto de encontro da cena independente carioca. Desde então, o grupo passou por palcos e eventos como Audio Rebel, Aparelho, Void, Aldeia Rock Festival, Hocus Pocus Festival e produções do selo Abraxas.

Com o lançamento do single e a chegada do EP, o Lunares abre uma nova fase, com novos shows e gravações previstos para 2027.