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Vida após o infarto: como manter o coração protegido e evitar recorrências

São Paulo, novembro de 2025 – Muito se fala sobre a importância de manter as taxas de colesterol sob controle como forma de prevenir doenças cardiovasculares — atualmente a principal causa de morte no país.  “O que nem todos sabem é que após um Infarto esse cuidado precisa ser mais rigoroso para evitar novos eventos cardíacos, sendo esse um dos grandes desafios vividos pelos pacientes”, alerta o cardiologista Dr. Eduardo Lima, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Esse acompanhamento é essencial porque uma das principais causas das doenças cardiovasculares é a aterosclerose, condição provocada pelo acúmulo de colesterol ruim (LDL) e outras substâncias nas paredes das artérias. Quando essas placas de gordura se rompem, podem formar coágulos que bloqueiam o fluxo sanguíneo, resultando em Infarto Agudo do Miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Segundo o cardiologista, as metas de colesterol variam conforme o risco cardiovascular de cada indivíduo — parâmetros atualizados na mais recente Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, publicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Pessoas que já tiveram um infarto devem manter o LDL abaixo de 50 mg/dL, enquanto aquelas que sofreram mais de um evento cardiovascular precisam atingir níveis inferiores a 40 mg/dL — uma nova faixa de risco extremo introduzida na diretriz.
Como 1 em cada 4 sobreviventes dessa doença têm maior probabilidade de sofrer um novo evento cardiovascular em até cinco anos é evidente a necessidade de estratégias mais eficazes e sustentadas para o controle do colesterol
“Para alcançar índices tão baixos de colesterol, além de uma alimentação equilibrada e da prática regular de atividade física, sempre sob supervisão profissional, é indispensável o uso de medicamentos que auxiliam na regulação dessas taxas”, explica o Dr. Lima.
Passar por um infarto é uma experiência que mexe com as emoções, mas os pacientes precisam compreender que a doença cardiovascular é crônica e demanda uma adesão contínua ao tratamento prescrito. Na prática, isso nem sempre acontece: mais da metade dos pacientes (53%) descontinua o uso de estatinas — medicamentos indicados para reduzir o colesterol e disponibilizados no SUS (Sistema Único de Saúde) — em até dois anos.
Esse comportamento de risco também foi constatado pela pesquisa Insights from Patients Living with Elevated Cholesterol (IPEC), que investigou percepções de pacientes com níveis de LDL fora da meta em diversos países, incluindo o Brasil, com a participação do Instituto Lado a Lado pela Vida. De acordo com o levantamento, muitos indivíduos que já haviam sofrido um evento cardiovascular admitiram não seguir corretamente as mudanças de estilo de vida e ainda disseram não manter o uso regular da medicação ou o monitoramento laboratorial das taxas de colesterol. Além disso, parte deles apontou como barreira o fato de o tratamento exigir administração diária.
Porém já existem opções de tratamento injetáveis para auxiliar na redução do LDL-colesterol, em aplicações quinzenais ou mensais. Uma delas é a inclisirana, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é indicada para adultos com hipercolesterolemia primária (familiar heterozigótica ou não familiar) e dislipidemia mista e da classe terapias anti-PCSK9.
Além de aplicação injetável, o medicamento, indicado para os pacientes de alto risco cardiovascular, é aplicado a cada 6 meses.  Inclusive a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu consulta pública n° 163 para avaliar a incorporação deste medicamento no rol de cobertura dos planos de saúde, e a população pode participar para ajudar a ampliar as opções de tratamento para os pacientes.
Necessidades não atendidas
Outro desafio no cenário pós-infarto diz respeito à disponibilidade de terapias disponíveis e suas respectivas adequações de prescrições. A nova diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda como primeira linha de tratamento para pacientes de alto e extremo risco cardiovascular após o infarto o uso de estatinas associadas à ezetimiba, terapias anti-PCSK9 e ácido bempedoico, especialmente em casos de intolerância às estatinas ou necessidade de redução adicional do risco cardiovascular.  No entanto, apenas as estatinas são disponibilizadas na rede pública de saúde.
A questão é que apenas 47,3% dos pacientes recebem estatinas de intensidade adequada. E mesmo entre os que utilizam terapia combinada (estatina + ezetimiba), 63% dos pacientes de muito alto risco cardiovascular não atingem as metas estabelecidas.

 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
KARINA KLINGER
karina.klinger@edelman.com

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