Com o avanço da inteligência artificial, a tecnologia exerce uma influência cada vez maior na forma como as pessoas buscam informações sobre saúde e beleza. Ferramentas como o ChatGPT são consultadas por usuários em busca de diagnósticos e orientações, por exemplo, a respeito de procedimentos estéticos.
Por um lado, o uso da IA pode representar uma forma de atendimento ágil e prática. A máquina é capaz de oferecer respostas 24 horas por dia e analisar grandes volumes de dados sobre o usuário, como tipo e textura da pele, fototipo, idade e histórico de tratamentos. Com base nessas informações, pode sugerir procedimentos, exames e determinados produtos.
No entanto, o uso desse tipo de plataforma não especializada em saúde para fins diagnósticos também envolve riscos. Especialistas destacam que ferramentas genéricas de IA são suscetíveis a erros, falhas de interpretação e generalizações. Além disso, esses sistemas não substituem o exame clínico presencial e não possuem a subjetividade característica de um profissional de saúde.
“O paciente que se baseia em uma consulta via inteligência artificial tem um diagnóstico, muitas vezes, impreciso ou incorreto. A IA tem um arsenal de informações com base no padrão da doença. No entanto, mais importante do que compreender a enfermidade em si é entender a pessoa que está doente. Isso está muito relacionado à falta de personalização da IA. O médico entrevista, examina, observa reações e ajusta o tratamento conforme a resposta do paciente”, comenta Raphael Fernandes, médico e professor da Unigranrio Afya.
Outro fator de risco, segundo especialistas, é a automedicação baseada em orientações genéricas, o que pode levar a efeitos colaterais e tratamentos inadequados. “Se algo der errado, a IA, como não tem a responsabilidade profissional de um médico assistente, não vai orientar a redução do uso de um medicamento ou indicar um novo exame”, completa Raphael.
Ainda que a tecnologia possa servir como uma aliada importante na otimização de atendimentos e na educação do paciente, ela deve ser uma ferramenta complementar e não substituta da análise criteriosa de médicos, nutricionistas, dermatologistas ou esteticistas.
Instituições como a Unigranrio Afya preparam seus alunos para essa realidade, com uma formação prática desde o início do curso e o uso de ferramentas tecnológicas modernas. A proposta é justamente equilibrar inovação e responsabilidade, formando profissionais capacitados e com melhor produtividade na parte clínica.
“Existe uma mobilização crescente dos médicos acerca de um cuidado maior com a inteligência artificial, no Brasil e no mundo. Hoje em dia são utilizados programas específicos de IA voltados para a medicina. Com uma base de dados qualificados, cientificamente comprovados, a fonte se torna mais segura do que uma busca aleatória em um chatbot, por exemplo”, explica Raphael.
Diante do crescimento do uso da inteligência artificial como fonte de orientação estética e clínica, torna-se mais evidente a necessidade da busca por profissionais qualificados e especializados da área da saúde. Dermatologistas, nutricionistas, esteticistas, entre outros, têm o preparo necessário para avaliar riscos, indicar tratamentos com segurança e atuar com sabedoria diante de possíveis complicações. A IA pode ser uma aliada no acesso à informação, mas as decisões que envolvem o corpo e o bem-estar do paciente exigem conhecimentos técnicos, diagnóstico preciso e acompanhamentos profissional e individual.
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JOãO PEDRO URBANO DOS SANTOS
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