“O trauma vicariante, também conhecido como exaustão por empatia ou trauma secundário, é uma realidade muitas vezes invisível para aqueles que dedicam suas vidas a ajudar o próximo,” afirma a psicóloga Cristina Laubenheimer.
“Ele se manifesta quando profissionais de áreas como saúde, assistência social, segurança pública e até mesmo jornalistas são expostos repetidamente ao sofrimento e às histórias traumáticas de outras pessoas. Essa exposição contínua e a profunda empatia vivenciada podem levar à internalização da dor alheia, impactando diretamente o bem-estar mental e emocional”, conclui a psicóloga.
Como Acontece:
O trauma vicariante não é uma falha de caráter ou falta de resiliência, mas sim uma resposta natural do organismo diante de situações extremas. “Ele ocorre através da identificação com a vítima e da absorção emocional de sua experiência traumática,” explica Cristina. “O cérebro começa a processar as informações recebidas como se a ameaça ou o sofrimento fosse seu, ativando as mesmas áreas que seriam ativadas em um trauma direto. A empatia, que é uma ferramenta essencial para esses profissionais, torna-se uma via de mão dupla para a dor.”
Efeitos a Curto, Médio e Longo Prazo:
Os efeitos do trauma vicariante podem ser devastadores e variam em intensidade e duração:
- Curto Prazo: Dificuldade para dormir, pesadelos, irritabilidade, fadiga, ansiedade, pensamentos intrusivos sobre as histórias ouvidas, hipersensibilidade a gatilhos. “Pode haver uma sensação de estar constantemente em alerta, mesmo quando em segurança,” ressalta a psicóloga.
- Médio Prazo: Cronicidade dos sintomas de curto prazo, apatia, isolamento social, dificuldade de concentração, diminuição da capacidade de sentir prazer, perda de esperança, cinismo, despersonalização, problemas de relacionamento. “A pessoa pode começar a se afastar do trabalho ou de atividades que antes lhe davam satisfação,” observa Teresa Cristina.
- Longo Prazo: Burnout, depressão grave, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) secundário, problemas de saúde física decorrentes do estresse crônico, abuso de substâncias, pensamentos suicidas. “Nesses casos, a vida profissional e pessoal pode ser severamente comprometida,” alerta a especialista.
Exemplos:
“Um enfermeiro que atua em uma UTI pediátrica e testemunha diariamente o sofrimento de crianças e seus pais; um assistente social que lida com casos de violência doméstica e abuso infantil; um bombeiro que resgata vítimas de acidentes e desastres; um psicólogo que atende pacientes com históricos de tortura ou violência doméstica, um médico que trabalha em zonas de conflito,” exemplifica Cristina. “Todos esses profissionais estão em risco de desenvolver o trauma vicariante devido à natureza de seu trabalho.”
Como Tratar:
O tratamento do trauma vicariante é multifacetado e exige uma abordagem compassiva e profissional. “É crucial reconhecer que não é um sinal de fraqueza, mas sim uma consequência natural da exposição ao sofrimento extremo,” enfatiza a psicóloga.
- Reconhecimento e Validação: O primeiro passo é reconhecer a existência do problema e validar os sentimentos. “Muitos profissionais sentem culpa ou vergonha por estarem sendo afetados, e é fundamental desmistificar essa ideia,” aponta Cristina.
- Apoio Psicológico: A terapia individual, especialmente abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), pode ser extremamente eficaz. “A terapia ajuda a processar as emoções, reestruturar pensamentos distorcidos e desenvolver mecanismos de enfrentamento saudáveis,” explica a especialista.
- Autocuidado: Desenvolver e praticar rotinas de autocuidado é vital. Isso inclui exercícios físicos regulares, alimentação saudável, sono adequado, hobbies, tempo com a família e amigos, e atividades relaxantes como meditação ou mindfulness. “O autocuidado não é um luxo, mas uma necessidade para a sustentação emocional e física,” afirma Cristina.
- Limites Profissionais: Aprender a estabelecer limites saudáveis no trabalho é essencial. “Isso pode envolver não levar trabalho para casa, ter momentos de desconexão e não assumir mais responsabilidades do que se pode suportar,” sugere a psicóloga.
- Apoio Institucional: As instituições empregadoras têm um papel fundamental em oferecer suporte aos seus profissionais. “Isso inclui programas de apoio psicológico, supervisão clínica, treinamento sobre trauma vicariante e a criação de um ambiente de trabalho que valorize o bem-estar dos funcionários,” conclui Cristina.
É fundamental que a sociedade e as instituições reconheçam a importância de cuidar daqueles que dedicam suas vidas a cuidar dos outros, garantindo que a empatia não se torne uma fonte de adoecimento.
Para contratar apoio psicológico para tratar traumas basta enviar um e-mail para: crislaubenpsi@gmail.com e w 21 9 9221 5755
Cristina Laubenheimer é Psicologa Clinica especializada em Terapia Cognitivo Comportamental; em terapia sistêmica de casal e familia; Terapeuta de trauma formada em EMDR e Brainspotting, Formação em DBT (Terapia Comportamental Dialetica), Mindfullness. Coach Pessoal e Profissional. Ela também é Consultora e Palestrante de Estresse
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YARA LUMENA FERREIRA ROCCA
yaraferreirarocca@gmail.com

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