Transtornos alimentares crescem e desafiam famílias e profissionais de saúde

Um relatório interno divulgado pela Meta em outubro de 2025 revelou que usuários insatisfeitos com o próprio corpo visualizam até três vezes mais conteúdos sobre dietas restritivas, padrões estéticos idealizados e comportamentos alimentares extremos.
Outro estudo, conduzido por pesquisadores brasileiros e publicado em 2023 nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, reforça essa relação. Entre as adolescentes avaliadas, 40,2% apresentavam atitudes alimentares anormais associadas ao uso intenso de redes sociais e à insatisfação corporal. Essa tendência também se manifesta em adultos.
De acordo com a psiquiatra Gabriela Ladeira, diretora da unidade Vila Verde da ViV Saúde Mental e Emocional, o impacto das redes sociais ultrapassa faixas etárias.
“Os transtornos alimentares não escolhem idade. Afetam adolescentes, jovens e adultos e muitas vezes se instalam silenciosamente, impulsionados pela pressão estética e pelo ideal de perfeição amplificado nas mídias digitais”, afirma.

Embora esses quadros geralmente surjam na adolescência, diagnósticos em outras idades vêm aumentando. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Transtorno de Compulsão Alimentar afeta cerca de 4,7% dos brasileiros, quase o dobro da média global.
Já a Anorexia Nervosa, menos prevalente, está entre os transtornos psiquiátricos com maior taxa de mortalidade, chegando a aproximadamente 20% dos pacientes, metade deles com ideação suicida. A Bulimia, por sua vez, acomete entre 1% e 1,5% da população.
“Essas doenças são complexas, multifatoriais e muitas vezes invisíveis até que se tornem graves. Elas exigem cuidado integrado, com equipe especializada e um olhar atento para as causas emocionais e sociais que sustentam o sofrimento”, reforça Gabriela.

Como reconhecer os sinais e agir a tempo
A nutricionista Letícia Ferreira Delgado, integrante da equipe de Qualidade da ViV, explica que os transtornos alimentares se instalam de forma lenta e progressiva. “Em muitos casos, a pessoa começa apenas controlando o que come, até que o comportamento passa a dominar sua rotina”, comenta.
Segundo ela, obsessão com o peso, distorção corporal, alterações alimentares e oscilações de humor estão entre os primeiros sinais de alerta. Também são comuns preocupação excessiva com calorias, dietas restritivas, episódios de compulsão seguidos de culpa, uso de laxantes ou vômitos autoinduzidos.
Muitas vezes surgem ainda mudanças físicas perceptíveis, como perda rápida de peso, fadiga, tonturas, queda de cabelo e irregularidades menstruais.

O isolamento social é outro indício importante. “Muitos passam a evitar refeições em grupo, escondem hábitos alimentares e demonstram irritabilidade, perfeccionismo ou tristeza constante. Esses sintomas indicam sofrimento psíquico e devem motivar busca imediata por avaliação profissional”, alerta Gabriela.

O papel da família e da rede de apoio
O ambiente familiar tem papel fundamental na prevenção e no tratamento. Refeições compartilhadas, escuta empática e ausência de julgamentos ajudam a reduzir a tensão em torno da comida e do corpo.
“Ouvir mais do que corrigir, mostrar interesse genuíno pelo que o outro sente e evitar comentários negativos sobre peso ou aparência são atitudes que fazem diferença”, orienta a médica.
O exemplo também importa. Pessoas que mantêm relação equilibrada com alimentação e com o próprio corpo contribuem para um ambiente mais saudável. Além disso, observar o consumo digital é essencial.
“Conteúdos que exaltam padrões estéticos, dietas milagrosas ou o uso de medicamentos para emagrecimento rápido podem atuar como gatilhos potentes”, afirma Gabriela.
O tratamento deve ser multiprofissional e incluir acompanhamento psiquiátrico, psicológico e nutricional. “Tratar o indivíduo isoladamente, sem considerar o ambiente e as relações, é um erro. A dinâmica familiar e social faz parte da doença e precisa ser incluída na estratégia terapêutica”, reforça.

A resposta integrada da ViV Saúde Mental e Emocional
Diante da crescente demanda, a ViV Saúde Mental e Emocional desenvolveu uma Linha de Cuidado especializada em Transtornos Alimentares, inicialmente implementada na unidade Vila Verde. O programa oferece suporte integral e humanizado, considerando as dimensões físicas, emocionais e sociais do paciente.
O modelo é estruturado por atividades terapêuticas em grupo, que reúnem pacientes com sintomas e desafios semelhantes. Nesses encontros, são discutidas temáticas que atravessam os quadros clínicos mais comuns, estimulando a troca de experiências e a identificação entre os participantes.
O programa inclui ainda técnicas de relaxamento e práticas de mindfulness, que ajudam na regulação emocional e na redução de impulsos alimentares.
Durante todo o percurso, os pacientes são acompanhados pela equipe multidisciplinar, composta por psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, assistentes sociais e enfermeiros.
Com base na avaliação individual, é elaborado o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que define as atividades em grupo e individuais necessárias ao tratamento, bem como a abordagem quantitativa e qualitativa de cada componente terapêutico.
A médica destaca que as práticas em grupo são amplamente utilizadas em psiquiatria. “Elas promovem a troca de experiências e permitem que o paciente exercite empatia, altruísmo, aceitação e aprendizagem por meio do outro. Esse processo fortalece a sensação de pertencimento e reduz o estigma”, explica.
“Nosso objetivo é desconstruir o estigma e oferecer um ambiente seguro, onde o paciente possa reconstruir uma relação saudável com o corpo e com a comida. O tratamento não busca apenas eliminar sintomas, mas restaurar o sentido de autocuidado e pertencimento”, acrescenta a psiquiatra.
A nutrição também é eixo central da recuperação. “Buscamos restabelecer uma relação de paz e confiança com a comida, ajudando o paciente a reconhecer os sinais de fome e saciedade e resgatar o prazer de se alimentar. Comer de forma consciente e intuitiva é parte essencial da recuperação psicológica e nutricional”, complementa Letícia.

Cuidar é também conscientizar
As especialistas reforçam que o enfrentamento dos transtornos alimentares depende de informação, empatia e acesso a cuidados especializados.
“O estigma ainda é uma barreira importante, e muitos pacientes demoram anos até procurar ajuda”, lembra a nutricionista.

A criação da Linha de Cuidado Especializada representa um avanço para oferecer acolhimento adequado a pacientes e famílias. Segundo a psiquiatra, os transtornos alimentares costumam estar associados, em cerca de 50% dos casos, a outros quadros psiquiátricos, principalmente ansiedade e depressão. Essa comorbidade exige acompanhamento cuidadoso e pode demandar terapias secundárias durante o tratamento.
“É preciso olhar para os transtornos alimentares como doenças sérias e complexas, mas tratáveis. Com o cuidado certo, é possível recuperar não apenas o corpo, mas também a autoestima e a qualidade de vida”, conclui Gabriela.

Sobre a ViV Saúde Mental e Emocional
A ViV Saúde Mental e Emocional é o maior grupo de saúde mental do Brasil e oferece tratamento da baixa à alta complexidade, com cuidados personalizados e o propósito de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes.
Presente em seis estados do País e no Distrito Federal (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Espírito Santo e São Paulo), com treze instituições e mais de trinta unidades de atendimento com credenciamento de diversos convênios de saúde, a missão da ViV é elevar a vida ao seu melhor e integrar os lados físico, mental e social de cada paciente, com uma abordagem baseada no equilíbrio entre o científico e a sensibilidade humana.
Busca ser reconhecida como uma rede de excelência assistencial para saúde mental e emocional, contribuindo para redução do estigma no Brasil.

Informações à imprensa:
Máquina
vivsaude@maquinacohnwolfe.com
 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
VIVIAN FIORIO
vivian.fiorio@maquinacohnwolfe.com

Sair da versão mobile