A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) suspendeu o processo de contratação de um empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões que estava sendo negociado com um sindicato de bancos. O Tesouro Nacional rejeitou conceder a garantia da União à operação devido à taxa de juros elevada da proposta.
Os bancos ofereciam o financiamento a uma taxa de 136% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), patamar considerado alto e acima do limite aceitável pelo Tesouro, que é de aproximadamente 120% do CDI para operações com aval do governo federal. Sem o Tesouro como fiador, a transação se torna praticamente inviável, forçando a suspensão e uma tentativa de renegociação com as instituições financeiras.
Para o economista Charles Mendlowicz, sócio da consultoria Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, a decisão do Tesouro é correta e a busca por crédito apenas adia a solução do problema estrutural da empresa.
O economista questiona o risco para o contribuinte, já que o empréstimo teria garantia da União. “Se os Correios não pagarem, o contribuinte terá que pagar pelo prejuízo. A União somos nós”, avalia. Para Mendlowicz, a gestão da empresa é o verdadeiro problema a ser resolvido: “Emprestar dinheiro é tapar buraco, a crise vai persistir. Só colocar dinheiro no caixa não resolve o problema administrativo”.
Diante da concorrência de gigantes do e-commerce (como Amazon e Mercado Livre) que investem em logística própria e do acúmulo de dívidas, Charles Mendlowicz defende que a única saída passa por uma mudança radical, não por mais endividamento. “A minha opinião é que não adianta dar esse dinheiro. Mas se não der, há risco de quebra. É preciso sanear a empresa, tem que resolver a questão, fatiar, vender, dar um jeito”, alerta o Economista Sincero.
Rombo bilionário afeta os Correios
O empréstimo é vital para o plano de reestruturação dos Correios, que atravessam uma grave crise financeira. Os dados mais recentes da estatal reforçam a preocupação do Tesouro Nacional e do mercado.
. Prejuízo triplicado: a ECT acumulou um prejuízo de R$ 6 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2025. O rombo é mais que o dobro do prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado em todo o ano de 2024.
. Queda de receita: a receita operacional da empresa também encolheu, caindo 12,7% no período de nove meses, totalizando R$ 12,35 bilhões, contra R$ 14,1 bilhões no ano anterior.
. Precatórios inflam despesas: o salto nas despesas gerais e administrativas decorreu, principalmente, do pagamento de R$ 2,1 bilhões em precatórios (dívidas judiciais) no ano, o que pressionou o caixa.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso entre o mercado financeiro e o varejo. É sócio da Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.
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GRAYCE MARI RODRIGUES
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