Apesar do avanço das pautas ambientais e sociais nas estratégias corporativas, o financiamento ainda é o principal gargalo dos projetos sustentáveis. Segundo o Relatório sobre Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável de 2024, da Organização das Nações Unidas (ONU), os países em desenvolvimento precisam de US$ 4 trilhões adicionais por ano para viabilizar suas metas de sustentabilidade — um déficit que mantém inúmeras iniciativas paradas por falta de recursos. Nesse cenário, a tecnologia se torna uma aliada estratégica, ao permitir maior transparência, padronização de dados e conexão direta entre investidores e iniciativas de impacto, ampliando a visibilidade e a confiança nos projetos.
Um exemplo dessa conexão entre tecnologia e investimento sustentável é o Eco Invest Brasil, programa desenvolvido pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do governo do Reino Unido. A iniciativa, que conta com uma plataforma criada em parceria com a Codex, empresa especializada em governança de dados e mudanças climáticas, será apresentada durante a programação da COP30, em Belém (PA), no dia 15 de novembro, nos Pavilhões Brasil, em agenda marcada para as 13h45.
Com a proposta de injetar capital catalítico — isto é, recursos públicos que funcionam como um impulso inicial para atrair aportes privados — e, assim, multiplicar o volume total de investimentos destinados à transformação ecológica, o projeto já demonstra resultados expressivos. Atualmente, o programa reúne 12 instituições financeiras credenciadas, com três leilões temáticos – dois deles já realizados e um em fase de recebimento de propostas, voltados a áreas como transição energética, bioeconomia, economia circular, infraestrutura verde e recuperação de terras degradadas. Nos dois primeiros leilões, realizados a partir de julho de 2024, R$ 23,3 bilhões de recursos públicos mobilizaram R$ 74,5 bilhões em investimentos totais, combinando capital nacional e internacional.
Responsável por dar forma tecnológica ao projeto, a Codex atua na criação da plataforma digital do Eco Invest Brasil reunindo e organizando os resultados dos leilões e dos projetos financiados em uma interface moderna e acessível. Desenvolvida em parceria com a Secretaria do Tesouro Nacional, a solução estrutura uma base de dados inédita sobre o financiamento da transformação ecológica, consolidando informações de 12 instituições financeiras e treze projetos já em andamento. A plataforma conta com painéis interativos de navegação entre leilões e projetos, visualizações espaciais desenvolvidas em ambiente ArcGIS e filtros temáticos que facilitam o cruzamento de informações entre bancos, investidores e gestores públicos.
“Além de disponibilizar painéis interativos e indicadores de desempenho, o sistema permite visualizações espaciais e filtros temáticos, facilitando o cruzamento de informações entre bancos, investidores e gestores públicos. O objetivo é tornar o fluxo de recursos mais transparente e eficiente, promovendo a aproximação entre quem busca capital e quem deseja investir em iniciativas de impacto”, destaca Ana Flávia Prado Rocha, coordenadora de projetos estratégicos da Codex.
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GUILHERME SIMON FERNANDES
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