A dor é uma das experiências humanas mais universais e, ao mesmo tempo, uma das mais complexas. Para a fisioterapeuta e terapeuta holística integrativa, Nanah Libânia, compreender a dor vai muito além de identificar uma inflamação, um trauma ou uma tensão muscular. Ela acredita que o corpo é um território vivo onde físico, emoção e energia se entrelaçam, e que é nesse encontro que a dor se manifesta.
Nanah explica como a terapia holística compreende a dor, quais são seus tipos mais comuns, quando é preciso buscar ajuda médica e de que forma recursos como respiração, meditação e toque consciente podem transformar não apenas o corpo, mas a própria vida do paciente.
A dor nasce no corpo, mas dialoga com emoções e energia. Apesar de observar uma forte relação entre dor, emoções e energia, Nanah é categórica: não é correto afirmar que toda dor tem origem emocional. “A dor física pode vir de sobrecarga mecânica, inflamação, vícios posturais, sedentarismo, traumas ou doenças. Mas, o emocional influencia muito. Ele amplifica a percepção da dor, altera o tônus muscular e mantém padrões de tensão”, explica ela.
Segundo a profissional, emoções densas, antigas ou reprimidas podem criar ‘nós’ somáticos, enquanto áreas sem vitalidade energética tendem a doer por falta de fluxo. Ainda assim, a origem costuma ser multifatorial. “A dor aparece onde o físico, o emocional e o energético se cruzam. Nem toda dor nasce da emoção, mas nenhuma dor está totalmente separada dela”, destaca.
Para Nanah, a dor não é um inimigo a ser combatido, mas uma mensagem. “A terapia holística vê a dor como uma orientação, um pedido de reorganização interna. Apesar de desconfortável, ela é uma chance de renascer dentro do próprio corpo”, afirma.
No consultório, isso significa olhar o paciente como um todo, história, emoções, corpo e energia, permitindo que a escuta e o toque sejam instrumentos terapêuticos tão importantes quanto as técnicas utilizadas. A especialista observa padrões recorrentes entre tipos de dor e suas dimensões emocionais ou energéticas: lombalgia – excesso de responsabilidade, sensação de carregar mais do que pode, medo do futuro e falta de apoio; cervicalgia – dificuldade de flexibilizar a vida, preocupação excessiva, tentativa de controlar tudo; ombros tensos – obrigações invisíveis, dificuldade de pedir ajuda, hábito de assumir dores alheias; dor torácica alta – mágoas guardadas, tristeza não expressa, esforço para ‘parecer forte’; dor abdominal – ansiedade acumulada, dificuldade de digerir situações da vida, ativação de medos antigos; dor no quadril – resistência a mudanças, memórias profundas pedindo cura ; joelhos doloridos – orgulho ferido, dificuldade de ceder, conflitos internos; pés doloridos: cansaço profundo, medo de avançar, desconexão com a própria jornada.
Para ela, cada dor é um diálogo: “O corpo não castiga, ele comunica”. Na base da sua prática está o chamado toque com presença. “Só quando o terapeuta olha o paciente por inteiro, escuta sem julgamento e se coloca no lugar dele, a reorganização acontece”, defende. Esse toque, segundo Nanah, é uma medicina ancestral que acalma o sistema nervoso, libera tensões profundas, desfaz rigidez, reorganiza o campo energético e desperta memórias corporais. Entre as abordagens holísticas com melhores resultados, Nanah destaca: a ginástica Holística, segundo ela, o método mais completo para reorganizar o corpo. Atuando nas cadeias musculares, melhorando a respiração, devolvendo mobilidade à coluna e revelando a causa da dor e não apenas o sintoma.
Além disso: massagens terapêuticas com presença e respiração consciente. “Práticas holísticas são eficazes porque a dor crônica é multicausal. Só melhora quando corpo, mente e energia se reencontram no mesmo lugar”, explica. Nanah traz uma ‘regra de ouro’ simples: “Se a dor muda o jeito de você viver, procure um médico. Se a dor muda o jeito de você sentir, procure um terapeuta energético”.
Ela orienta buscar atendimento médico imediato em casos de: dor súbita, intensa ou incapacitante; dor com febre, falta de ar, palpitação, dormência ou perda de força; dor que surge após queda ou trauma; dor que piora continuamente sem alívio. Já dores tensionais, emocionais, cíclicas ou que melhoram com descanso, respiração e toque podem ser trabalhadas energeticamente. Para Nanah Libânia, fica claro que a dor não é apenas um problema a ser eliminado, mas um convite à consciência, ao movimento e ao reencontro consigo mesmo. “Quando o corpo é visto por inteiro, físico, emocional e espiritual, a dor encontra o caminho para se reorganizar”, conclui.
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AMANDA MARIA SILVEIRA
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