Em uma cidade marcada por profundas transformações urbanas, restaurar um imóvel tombado não significa apenas recuperar paredes antigas — é resgatar capítulos inteiros da história paulistana. Esse é o caso do Casarão Multicultural Viva Arouche, construído em 1905, que renasceu como um espaço pulsante de cultura após um processo de restauro conduzido com rigor técnico, respeito à sua materialidade original e sensibilidade ao modo de vida contemporâneo.
O imóvel, que já funcionou como pensão, armazém e conjunto de salas comerciais ao longo do século XX, ficou por anos subutilizado, acompanhando a decadência gradual do centro. A família, proprietária do casarão desde 1970, observou sua deterioração e decidiu intervir antes que o patrimônio se perdesse. O objetivo era claro: recuperar a autenticidade da construção e devolver o edifício ao convívio cultural da cidade. A virada veio com a chegada do arquiteto e artista plástico Gabriel Menezes (Mena) e de sua sócia Roberta Abreu, que defenderam um restauro baseado na preservação das estruturas primárias – como as paredes de tijolos aparentes e o piso de peroba rosa, elementos que guardam mais de um século de memória urbana.
Ao mesmo tempo, propuseram uma intervenção contemporânea que dialogasse com o movimento artístico e social em curso no centro de São Paulo. O resultado é uma composição harmoniosa entre passado e presente: janelas e portas coloridas organizam a setorização dos ambientes, enquanto dez grafiteiros voluntários — entre eles Hope, SCL, KBM, Kueio, Caio Bless, Sanches, Luc Souza e a dupla Tamo Junto — revitalizaram as paredes internas em um mutirão artístico realizado em apenas um fim de semana.

Agora sob a direção de Luciene Weiland, cantora lírica com carreira internacional, palestrante e historiadora, o Casarão Multicultural Viva Arouche vive uma nova fase como polo de arte, cultura e eventos. O espaço recebe feiras, workshops, projetos culturais e gastronômicos, iniciativas de sustentabilidade e encontros corporativos. Sua estrutura centenária preservada, distribuída em dois andares de forte personalidade, transforma qualquer evento em uma experiência estética e sensorial singular. Mais do que restaurar um edifício, o trabalho realizado no Casarão Multicultural Viva Arouche contribui diretamente para a revalorização do centro de São Paulo, reafirmando o papel do patrimônio arquitetônico como agente ativo da vida cultural paulistana. Um exemplo contundente de como preservar o passado pode, sim, abrir caminhos sólidos para o futuro.

Para mais informações sobre locação de espaços, visitas técnicas e orçamentos para eventos no Casarão Multicultural Viva Arouche, o atendimento é realizado pelo WhatsApp (11) 96607-3164 ou pelo direct no Instagram: @vivaarouche.
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MAURICIO VALLIM COUTINHO
mauricioimprensa@yahoo.com.br







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