Quando criança, vivia em uma família em que os brinquedos, as roupas e o lanche precisavam ser conquistados, nada era dado de bandeja. Essa inquietação, esse desejo de ter “meu dinheirinho” acabou se transformando em hábito, em rotina, em escolha de vida. Depois de uma carreira de bancária que me deu estabilidade e com a chegada da minha filha, resolvi virar a chave em busca de autonomia. Decidi empreender. Fundamos a Smart Mobilidade Urbana, que é referência em mobilidade elétrica no Rio Grande do Sul. Nessa trajetória caminhei ao lado de muitas mulheres que, assim como eu, aprenderam a usar a coragem como combustível. Hoje, penso que não basta celebrar uma data como essa ou contar quantas mulheres abriram empresas. É preciso entender o “como” e o “por que”. A data serve para que possamos parar e refletir: quantas portas ainda estão fechadas? Quantos sonhos ainda são adiados pelo medo, pela insegurança ou pela falta de rede de apoio?
Quando decidi investir no negócio próprio, não havia exemplo feminino direto na família que dissesse: “é possível”. Então fui aprendendo. Fui errando, ajustando, delegando, crescendo. O empreendedorismo feminino, para mim, nunca foi sobre ter mais tempo livre, é sobre ter propósito. É sobre escolher um caminho mesmo com incerteza, levando junto a equipe, a família, o legado.
Na Smart, quis unir esse propósito à ação: mobilidade elétrica, um setor que ainda parece ter barreiras para mulheres liderarem, que envolve tecnologia, logística, finanças e inovação. Mas ainda há desafios. O acesso ao crédito segue desigual, e a carga dupla com casa, família e negócios recai intensamente sobre nós. Há uma urgência em não apenas comemorar, mas transformar. Precisamos de redes que apoiem, mentorias que empoderem, ambientes que tornem possível conciliar ser mulher, mãe, empreendedora, líder, sem que qualquer rótulo limite nosso espaço. Neste Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, que cada vez mais mulheres construam algo significativo com portas abertas. Porque o empreendedorismo feminino é um movimento e merece ser reconhecido, acolhido e impulsionado todos os dias.
Artigo escrito pela Vanessa Abel, empreendedora e sócia da Smart Mobilidade Urbana
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Larissa Braga Ierque
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