A ampliação do teto para uso do FGTS no financiamento imobiliário, agora de até 2,25 milhões de reais, abre novas possibilidades de acesso ao crédito para imóveis de maior valor. Em São Paulo, a medida tem potencial para alcançar regiões valorizadas como o Paraíso, onde o valor do metro quadrado costuma se situar acima da média da cidade.
O ajuste permite que parte dos imóveis de padrão intermediário e alto passe a ser financiada dentro das regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), tradicionalmente voltado a imóveis de menor valor. De acordo com a Caixa Econômica Federal, as novas faixas de enquadramento devem beneficiar principalmente compradores que utilizam o FGTS como complemento de entrada ou amortização.
Além da ampliação do valor máximo, o SFH oferece taxas de juros limitadas a 12% ao ano, o que torna essa modalidade mais vantajosa em comparação às linhas de crédito livre, que operam com taxas significativamente mais altas. A combinação entre teto ampliado e juros controlados pode ampliar o poder de compra e favorecer negociações mais equilibradas.
Para Júlia Gagliardi, CEO da inCanto Urbano, a mudança tende a diversificar o perfil de negociação em bairros consolidados. “O Paraíso é uma região que reúne imóveis de diferentes faixas de preço, de unidades compactas a apartamentos familiares. Esse novo limite amplia as possibilidades de financiamento e pode tornar o processo de compra mais acessível para quem busca morar bem sem recorrer a linhas de crédito mais onerosas”, explica.
Segundo o Índice FipeZap (setembro/2025), o valor médio do metro quadrado residencial no Paraíso gira em torno de 13.905 reais, o que coloca boa parte dos imóveis de dois ou três dormitórios dentro do novo teto anunciado. Ainda assim, Júlia reforça que o benefício deve ser usado com planejamento. “A ampliação do crédito é positiva, mas não significa que cabe em todo orçamento. É essencial avaliar renda, prazos e taxas, considerando o impacto de longo prazo sobre o custo total do imóvel”, afirma.
A especialista destaca também que a mudança pode gerar reflexos graduais no comportamento de compra. “Esse tipo de medida costuma incentivar movimentação entre famílias que já moram na região e desejam permanecer no bairro, trocando de imóvel ou buscando algo mais adequado ao momento de vida. Mas os efeitos reais só devem ser sentidos com o tempo”, analisa.
Para a CEO, a principal vantagem está na previsibilidade. “Com o FGTS ampliado e regras mais claras, o comprador tem condições de planejar melhor a compra e comparar alternativas com base em segurança jurídica e estabilidade de taxas. Isso favorece decisões mais conscientes”, conclui.
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JULIA BEZERRA VIEIRA MATSUSHITA
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