Mercado logístico brasileiro deve atingir USD 140 bilhões até 2030 impulsionado pelo comércio eletrônico

 

O setor de transporte de cargas e logística no Brasil apresenta um cenário de expansão robusta, impulsionado pela transformação digital do varejo. De acordo com o relatório “Brazil Freight and Logistics Market”, elaborado pela consultoria Mordor Intelligence, o mercado foi avaliado em aproximadamente USD 108,86 bilhões em 2024. As projeções indicam que o setor deve alcançar a marca de USD 140,02 bilhões até 2030, registrando uma Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) de 4,29% no período.

O estudo aponta que o principal catalisador desse crescimento é a consolidação do e-commerce no país. O aumento no volume de vendas online alterou a dinâmica da cadeia de suprimentos, exigindo que as empresas do setor investissem em infraestrutura para reduzir os prazos de entrega. A pressão por serviços mais rápidos e rastreáveis forçou uma reestruturação tanto em grandes operadores logísticos quanto em novos entrantes no mercado.

A adaptação às novas exigências do consumidor é percebida diretamente por quem opera na gestão de frotas e entregas. “Observamos que a logística deixou de ser apenas um braço operacional para se tornar um diferencial estratégico de venda. A tolerância a atrasos diminuiu drasticamente, o que obriga o setor a investir pesado em tecnologia e capilaridade para cumprir as promessas de prazo”, analisa Beatriz Cabral, sócia proprietária da Beon Transportes

Para atender a essa demanda pulverizada, varejistas têm intensificado a busca por parceiros especializados. O relatório indica que a contratação de transportadoras para e-commerces se tornou crítica para o sucesso das operações de varejo digital. Diferente do transporte industrial tradicional, esse nicho exige manuseio fracionado, sistemas de integração em tempo real com as plataformas de venda e flexibilidade para lidar com a logística reversa.

Outra tendência destacada na análise de mercado é a descentralização dos estoques. Para viabilizar entregas no mesmo dia ou no dia seguinte, as companhias estão investindo em “dark stores” e armazéns urbanos. Essa estratégia aproxima o produto do consumidor final, reduzindo o custo da última milha, etapa considerada a mais cara e complexa de toda a operação logística.

No entanto, para que o produto chegue a esses centros urbanos, a eficiência do transporte de longa distância continua sendo vital. O estudo reforça a importância da otimização do line haul, a etapa de transferência de cargas entre centros de distribuição e hubs logísticos. A eficiência nesta fase intermediária é o que garante o abastecimento contínuo das pontas, permitindo que a malha de distribuição funcione sem rupturas de estoque.

Além das questões operacionais, o relatório da Mordor Intelligence cita o crescimento do transporte multimodal e o uso de tecnologias de inteligência de dados. A capacidade de prever demandas e roteirizar entregas de forma dinâmica está se tornando um padrão para as empresas que desejam manter a competitividade em um mercado que movimenta volumes financeiros cada vez maiores.

As perspectivas para o final da década sugerem um ambiente de negócios maduro, onde a eficiência operacional será mandatória. Com a infraestrutura rodoviária ainda representando o principal modal do país, os investimentos privados em renovação de frota e tecnologias de monitoramento serão decisivos para que o mercado brasileiro atinja as metas financeiras projetadas pelo estudo internacional.

 

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
VITORIA YUKI MOTOYAMA
vitoria.yuki@ufms.br

Sair da versão mobile