Heitor Werneck leva Henrique Vitorino para Virada Inclusiva

 

Henrique Vitorino é artista do âmbito musical, teatral, poético e literário. É autor do roteiro e da trilha sonora do curta-metragem “Meu Garoto” (2021), em parceria com Bruna Gabrille, para o SESC Santo André. Músico em cena do espetáculo “O Chão de Dentro é a Minha Terra”, pela Cia. Los Puercos. Ainda em conjunto com Bruna Gabrille, é autor da peça “Alguém Tinha Que Ceder” (2022). 

 

Em 2023, estreia na não-ficção com o livro “Manual do Infinito: Relatos de um Autista Adulto” (Ed. Nova Alexandria). Em seus trabalhos musicais, apresentou-se no projeto “Serenata Sempre Seresta” do SESC Piracicaba em 2018 e 2019; no show “Prova de Carinho” com Canhotinho do Cavaquinho e Valdemar Ramos; no Sarau da PUC (sob a direção da Prof. Sonia Montone); da Feira da Diversidade; da Virada Inclusiva na Avenida Paulista e na inauguração do Centro TEA Paulista, em 2025.

 

Por isso, foi escolhido do produtor cultural Heitor Werneck para apresentar três shows ao longo dessa semana na capital e Mogi Mirim, em comemoração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência dentro da programação da Virada Inclusiva, realizada pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e que chega à 15ª edição neste ano com o tema “10 anos de Lei Brasileira de Inclusão (LBI) – Direito de ser, viver e protagonizar”

 

A agenda de apresentações de Henrique Vitorino começa nesta terça, dia 02, no Centro TEA Paulista, às 14h. Passando por Mogi Mirim no dia 03, às 19h30 na Praça Ruy Barbosa, depois retornando a São Paulo, na Estação Ana Rosa, no dia 6, às 11h.

 

No repertório bem variado, com forte presença de MPB clássica, samba-canção, bolero, seresta, Henrique irá tocar e cantar sucessos memoráveis como “Do Meu Jeito (My Way)”, “Sorri / Smile”, “Fascinação”, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Como Nossos Pais”, “Chega de Saudade” além de mais 10 canções que estão em nossos corações.

A urgência de enxergar as deficiências ocultas

 

“Eu só tenho a agradecer ao Cássio Rodrigo, um dos maiores militantes história LGBT e de inclusão social no Brasil e que agora é assessor de gabinete da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) pelos esforços na realização da Virada Inclusiva que é um evento super importante para que as pessoas possam também ver os talentos de pessoas com deficiências visíveis ou ocultas. Em um país em que a gente ainda vê comediantes de stand up fazendo piada sobre o hiperfoco dos autistas, iniciativas culturais como essa oferecem um contrapeso ao preconceito e à ignorância do que é viver com uma deficiência”, assinala Heitor Werneck.

 

Para ele, Henrique é um exemplo de superação e inclusão na atual realidade brasileira, onde as pessoas com deficiência, principalmente os autistas, mesmo que amparados por lei ainda enfrentam desafios na escola, nas instituições de saúde e até mesmo no convívio diário em sociedade: “Em contraponto ao talento de Henrique, quero lembrar que inclusive ainda existe no Brasil alguns psiquiatras que tratam o autismo com seções de choque elétrico. A sociedade ainda não está preparada para ver as deficiências. Só se fala de autismo infantil, mas o autismo irá acompanhar as crianças por toda a vida. Se elas ultrapassarem a expectativa média de vida do autista que gira em torno dos 38 anos, ainda vão ter que enfrentar muitos percalços na adaptação social.  Além disso, os autistas não estão sozinhos nessa jornada. Todos ao redor deles precisam de acolhimento e orientação, sejam os pais, os irmãos, os professores, colegas de escola e trabalho. Até mesmo os vizinhos.”

 

Heitor Werneck que também é autista com suporte nível 2 ainda assinala a evolução lenta da aceitação social de pessoas com deficiência: “não faz muito tempo que eu não podia frequentar o banheiro para pessoas com deficiência porque o ícone representava uma pessoa cadeirante. Como a minha deficiência é do tipo oculta, muitas vezes eu era barrado por não ser um deficiente físico. Por isso mudaram o símbolo para uma pessoa de braços abertos. Representando que muitas pessoas podem ter deficiências ocultas e precisam de apoio, de cuidado”. 

 

A questão da visibilidade das deficiências ocultas é tão significativa que existem cordões diferenciados para ajudar a identificá-las. Para o autismo, há o símbolo do infinito (por causa das infinitas possibilidades do espectro) e o quebra cabeças (representando a necessidade de autorregulação). E para todas as outras deficiências ocultas tais como surdez, fibromialgia, pessoas que usam bolsa de colostomia, próteses, etc, o cordão do girassol, que é uma planta que anda com o sol, representa o direito de todos os deficientes de andar sob o sol.

 

A participação de Henrique Vitorino na Virada Inclusiva reforça o propósito central do evento: valorizar talentos, ampliar visibilidade e reafirmar que a inclusão é um compromisso coletivo. Suas apresentações gratuitas convidam o público a celebrar a arte como ponte entre mundos, lembrando que a diversidade humana é uma riqueza que precisa ser reconhecida, respeitada e vivida em sua plenitude.

 

Serviço

 

Henrique Vitorino – Virada Inclusiva 

 

02/12 – às 14h – Centro TEA Paulista – Rua Galileo Emendabili, 99 – Jardim Humaitá, São Paulo – SP

 

03/12 – às 19h30 – Praça Ruy Barbosa – Mogi Mirim 

 

06/12 – às 11h – Estação de Metrô Ana Rosa 

 

Gratuito

 

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JULIANNA SANTOS GOMES
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