Gestão de risco: de custo a vantagem competitiva

As instituições estão enfrentando um desafio claro: lidar com requisitos regulatórios que estão crescendo em volume, profundidade e velocidade. A principal agenda é a necessidade de melhorar a capacidade de coletar dados,  reportar informações com mais eficiência e, principalmente, monitorar riscos. Esse último ponto é especialmente relevante já que um estudo da McKinsey revela que instituições com processos de gestão de riscos mais maduros, reduzem em até 20% suas perdas operacionais. Esse cenário mostra como o mercado está passando por uma mudança estrutural, na qual conformidade e governança deixaram de ser “custos” e passaram a ser fatores decisivos para competitividade, confiança e sustentabilidade. 
 

E isso nunca esteve tão claro quanto em discussões recentes da FEBRABAN G-Risc, um dos principais eventos voltados para gestão de riscos no setor de serviços financeiros. Logo na abertura, o objetivo do evento já era claro: a fala de Isaac Sidney, presidente da Febraban, destacou que o risco deixou de ser uma obrigação normativa para se tornar uma estratégia central para resiliência organizacional. Entre outros momentos marcantes da apresentação, houve também a ênfase nas ameaças globais emergentes e a necessidade de maior cooperação internacional. 
 

E o caso do Rio Grande do Sul, apresentado também durante o evento, reforça essa tese. Em 2024, a região enfrentou uma grave crise climática, marcada por enchentes históricas que atingiram mais de 400 municípios. Na época, o governo estadual decretou estado de calamidade pública, avaliando prejuízos econômicos que ultrapassaram R$87 bilhões, o equivalente a aproximadamente 1,8% do PIB gaúcho, segundo estudo do BID e Banco Central. A Farsul estima que o agronegócio gaúcho pode ter perdido cerca de R$ 4 bilhões pelas enchentes.
 

O caso é trágico, mas demonstra na prática algo muito importante: as instituições, sejam públicas ou privadas, precisam estar preparadas para responder rapidamente às possíveis crises. Algo que dialoga com o crescente perigo climático, já listado pelo Fórum Econômico Mundial como um dos maiores impactos para a próxima década. No caso, a gestão de risco aplicada a fenômenos climáticos, que integra análises ambientais, planejamento urbano, políticas públicas, ciência de dados e resposta à emergência, reúne práticas e ferramentas para decisões estratégicas.
 

Diante desse cenário tão desafiador, fica claro que a resiliência, transparência e integração de dados são os grandes temas que vão marcar o próximo ano. Entre as tendências que despontam estarão a digitalização mais profunda dos processos de gestão de riscos, incluindo automação, uso de dados em tempo real e mecanismos de rastreabilidade, além da adoção de abordagens proativas, em vez de reativas, no monitoramento de incidentes operacionais, apoiadas principalmente pela IA. Enquanto isso, será necessário preparação para novas exigências do Banco Central, especialmente relacionadas ao envio padronizado de bases de dados e maior rigor na supervisão para mitigar possíveis danos.
 

A percepção predominante entre os executivos é que as organizações estão buscando amadurecer seus processos internos de ricos com necessidades relacionadas a padronização da coleta e análise de incidentes, ganho de eficiência no envio de informações aos órgãos reguladores e melhora na governança dos dados, com menos dependência de controles manuais. Estamos entrando em uma fase em que conformidade, tecnologia e dados caminham cada vez mais juntos para uma gestão de risco mais eficiente.
 

*Marcelo Becher é Líder de Marketing e Produto da SoftExpert

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA FERNANDA SOUZA PETRIZZO
maria.fernanda@pinepr.com

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