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Curitiba encerra primeiro dia da II Jornada Luna ABA com foco em evidências científicas no treinamento parental

A última plenária desta sexta-feira na II Jornada Luna ABA foi conduzida por Lucelmo Lacerda de Brito, pós-doutor em Psicologia pela USP, mestre em História da Educação, especialista em políticas de inclusão e pesquisador em práticas pedagógicas baseadas em evidências para pessoas autistas no contexto escolar. Referência em educação inclusiva e análise experimental do comportamento, Lucelmo trouxe para o centro do debate uma pergunta-chave: afinal, o treinamento de pais em ABA tem evidência científica de que funciona, para quê exatamente e para quem?

O que significa “ter evidência” em ABA

Na plenária “Evidências na orientação e treinamento parental”, o pesquisador explicou que nem toda pesquisa científica responde à pergunta “funciona ou não funciona?”, diferenciando estudos qualitativos (que exploram percepções, ética, sentimentos) de estudos experimentais e de resultado, que avaliam diretamente a relação entre intervenção e mudança de comportamento. Para que uma prática seja considerada “baseada em evidências”, não basta “ter artigo publicado”. É preciso que existam estudos com boa validade interna (capazes de mostrar que foi o treino, e não outro fator, que causou o efeito) e validade externa (com resultados que possam ser generalizados além dos participantes do estudo).

Revisões internacionais e ênfase no treinamento de pais

Lucelmo apresentou a principal síntese internacional sobre intervenções para pessoas com TEA, produzida pela Universidade da Carolina do Norte (UNC), cuja revisão de terceira geração, publicada em 2021, identifica 28 práticas baseadas em evidências para crianças, adolescentes e jovens adultos autistas. Entre essas práticas está o treinamento de pais/cuidadores, descrito como um conjunto estruturado de estratégias nas quais profissionais ensinam pais, individualmente ou em grupo, a aplicar intervenções em casa e em contextos naturais para desenvolver comunicação, habilidades sociais, brincadeira, autocuidado e redução de comportamentos desafiadores.

Para quais objetivos o treino parental já tem evidência

Com base nos dados da revisão, o palestrante mostrou que o treinamento parental tem evidência robusta para melhorar comunicação e habilidades sociais de crianças e adolescentes (aproximadamente de 0 a 18 anos), ampliar atenção compartilhada em crianças pequenas, desenvolver habilidades adaptativas e de autocuidado até a adolescência e reduzir comportamentos desafiadores em diferentes faixas etárias. Em contrapartida, chamou atenção para áreas em que ainda não há evidência suficiente, como desenvolvimento de habilidades vocacionais e autodeterminação em jovens mais velhos, reforçando que “ter evidência” não significa que algo nunca funcione, mas que a ciência ainda não acumulou dados de qualidade para afirmar com segurança.

Para tornar o tema concreto, Lucelmo apresentou estudos de delineamento experimental de sujeito único em que pais foram treinados a usar ensino incidental e procedimentos baseados em avaliação funcional para lidar com comportamentos desafiadores. Nesses estudos, gráficos mostram que, após revisão teórica, modelagem e feedback, a fidelidade dos pais à intervenção aumenta e, em paralelo, a frequência de comportamentos problemadas crianças cai de forma acentuada, efeito que se mantém ao longo do tempo quando há acompanhamento contínuo. O pesquisador ressaltou que a manutenção dos resultados depende de seguimento e de introdução gradual de novas metas, não de um “pacote” de treinamento pontual.

Prática baseada em evidências como compromisso ético

Ao relacionar o debate às práticas cotidianas de clínicas e escolas, Lucelmo lembrou que medicina e outras áreas já consolidaram o compromisso de usar “a melhor evidência científica disponível, combinada com a expertise profissional e com os valores da família” na tomada de decisão. Para a intervenção parental em ABA, isso significa ir além do “explicar no corredor” e estruturar programas formais de orientação a pais, atualizados, culturalmente adaptados e alinhados a metas de alta validade social. O encerramento reforçou a mensagem central do dia: famílias não apenas “participam” da intervenção, mas são foco estratégico de práticas com evidência, decisivas para levar o aprendizado da criança para o cotidiano.

Conexão com a programação

Palestrantes como Natalie Brito Araripe, Aída Teresa dos Santos Brito complementam o time, reunindo 16 horas presenciais para especialistas, terapeutas e famílias. Espaço Kids gratuito (3-10 anos) e oficinas eco-artísticas garantem acolhimento total. Confira a cobertura do evento no @lunaeducacao.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
PAULA FRANCO BATISTA
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