A indústria moveleira brasileira vive um ciclo de modernização acelerada, combinando eficiência produtiva, melhor aproveitamento da matéria-prima e padrões mais rígidos de sustentabilidade. Segundo dados da ABIMOVEL (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário), entre janeiro e maio de 2025, a produção de móveis e colchões cresceu 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior — avanço que mantém a trajetória positiva do setor, mesmo com oscilações no comércio exterior. No front externo, as exportações seguiram em alta no 1º trimestre, embora o 2º semestre traga incertezas adicionais com o “tarifaço” norte-americano.
Segundo mapeamento recente da IEMI, 89% das unidades produtoras do país trabalham com móveis de madeira, reforçando a importância de processos de corte e beneficiamento que reduzam perdas e elevem a qualidade do acabamento.
No processamento inicial — da tora às tábuas — a adoção de lâminas mais estreitas e finas em serras de fita diminui a espessura de corte, poupando madeira nobre que antes virava cavaco. “Quando a lâmina é mais espessa, o desperdício sobe. Com lâminas de menor espessura e de alta performance, aumentamos a produtividade e o aproveitamento da tora”, explica Aurélio Soares, gerente de Produtos e Assistência Técnica da Starrett.
Para Rafael De Rosis, gerente de Produtos da Leo Madeiras, a precisão no corte impacta diretamente na qualidade final dos móveis produzidos, além de aumentar a produtividade e reduzir desperdícios:
“Tudo passa pela qualidade dos equipamentos e acessórios quando o assunto é produtividade. Quanto mais o processo se tornar industrial, mais se requer itens de alta performance. Um corte com o mínimo de erro já pode apresentar problema na colagem de fitas de borda, por exemplo. Para evitar esse e outros problemas no acabamento dos móveis, a precisão no processo é fundamental”.
Para orientar rapidamente fabricantes, marcenarias e até hobbistas, a Starrett desenvolveu o StarrettCalc. Com duas informações — material a cortar e tipo de máquina — o sistema sugere um ranking de lâminas por objetivo (velocidade, performance, custo-benefício). “Seja serra de fita, tico-tico ou serra-copo, o usuário encontra a especificação correta e pode falar com nosso time técnico para ajustes finos”, complementa Soares.
Exportação, sustentabilidade e certificações
A busca por competitividade externa passa por qualidade dimensional do corte, padronização e rastreabilidade de origem da madeira. Iniciativas de certificação (como FSC) e programas setoriais vêm ganhando espaço como credenciais de acesso a mercados exigentes — um movimento reforçado por ações de promoção das exportações do setor moveleiro.
“Tecnologia de corte é hoje fator de estratégia industrial: reduz perda, melhora acabamento, acelera setup e suporta a conformidade ambiental. Em mercados mais disputados e sensíveis a preço, o aumento de produtividade e a redução de desperdícios vira margem e competitividade”, diz Soares.
DIY e mão de obra: a outra ponta que puxa o ecossistema
A tendência do faça-você-mesmo deixou de ser nicho e hoje influencia a cadeia moveleira inteira. A popularização de conteúdo em vídeo e cursos rápidos de marcenaria atraiu hobbistas e pequenos ateliês, ampliando a demanda por cortes precisos, máquinas estáveis e procedimentos de segurança claros. Na prática, isso acelera a difusão de boas práticas — da escolha da lâmina ao ajuste de avanço e velocidade — e puxa a indústria para padrões de acabamento mais consistentes.
“A comunidade do faça-você-mesmo está na ponta da inovação. Eles experimentam, comparam, compartilham o que funciona e o que não funciona, e isso pressiona o mercado a elevar o nível de precisão e segurança. As parcerias com criadores de conteúdo ajudam a disseminar boas práticas — do projeto ao acabamento — e a formar novos marceneiros”, afirma Aurélio.
A onda do DIY acelera a difusão de boas práticas e forma novos profissionais, aproximando inovação de quem fabrica e de quem compra. No conjunto, eficiência produtiva, qualificação e escolhas responsáveis na matéria-prima são hoje os pilares que sustentam margem, qualidade percebida e acesso a novos mercados.
A modernização do setor moveleiro passa por decisões técnicas que começam no corte: lâminas mais finas e estáveis reduzem perdas, padronizam o acabamento e ajudam indústrias e marcenarias a competir dentro e fora do país. Ao lado disso, manutenção, alinhamento das máquinas e reafiação no tempo certo garantem repetibilidade e segurança, enquanto certificações e rastreabilidade respondem às exigências de mercados mais rigorosos.
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STEPHANIE FERREIRA
stephanie@ideiacomm.com.br







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