Em uma sociedade estimulada pelo consumo incessante, especialmente com a facilidade do e-commerce e das redes sociais,o ato de comprar tem se transformado, para muitos, em uma perigosa válvula de escape emocional. Não se trata apenas de adquirir algo desejado, mas de usar a compra como uma resposta imediata e paliativa a sentimentos complexos como ansiedade, estresse, frustração e até mesmo tédio.
Estudos indicam que no Brasil, a compra por impulso atinge uma parcela significativa da população, sendo um dos maiores motivadores do endividamento familiar. A euforia momentânea da aquisição ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina e proporcionando uma sensação rápida de prazer e alívio, que, infelizmente, é efêmera e frequentemente seguida por um sentimento avassalador de culpa e arrependimento.
A psicóloga clínica Josiele Sena, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) e Gestão de Pessoas, explica que este padrão de comportamento está diretamente ligado à desregulação emocional. “A compra por impulso é um sintoma, não a doença. A pessoa não compra porque precisa do objeto, mas porque precisa lidar com uma emoção que não está conseguindo gerenciar de forma saudável. É a busca por um remédio instantâneo para a dor interna. A TCC é fundamental para ajudar a identificar a raiz desse desconforto e reverter o ciclo vicioso do consumo”, afirma.
Segundo a especialista, a diferença entre uma compra pontual por prazer e o uso do consumo como válvula de escape reside na frequência, na necessidade do item e, principalmente, no sentimento que a precede e a sucede. Josiele lista os principais sinais de que o consumo virou uma fuga emocional:
- Gatilho emocional claro: a vontade de comprar surge imediatamente após um pico de ansiedade, um dia ruim no trabalho, uma discussão ou um momento de grande tédio e frustração;
- Impulso irresistível: a pessoa sente uma urgência que é quase física, uma necessidade de agir rápido para “acalmar” o desconforto, sem refletir sobre a utilidade ou o custo do item;
- Prazer seguido por culpa: o pico de euforia ao finalizar a compra é rapidamente substituído por sentimentos intensos de culpa, remorso, vergonha ou ansiedade ao pensar na fatura ou no item desnecessário;
- Comportamento secreto: mentir, omitir ou esconder as compras de familiares e parceiros para evitar julgamentos ou questionamentos sobre a situação financeira;
- Itens desnecessários: compra de objetos repetidos, supérfluos, que nem chegam a ser usados, ou de valor muito acima da capacidade financeira.
A Terapia Cognitivo-Comportamental é apontada por Josiele Sena como uma das abordagens mais eficazes, pois atua na modificação dos padrões de pensamento que levam ao consumo.
“Ensinamos o paciente a fazer uma pausa de reflexão. Antes de clicar em comprar, ele deve questionar o pensamento automático: Eu realmente preciso disso? O que eu estou sentindo agora? Essa compra vai resolver o meu problema real?”, pontua a psicóloga. A substituição de hábitos e a busca por estratégias de enfrentamento mais funcionais (como exercícios físicos, hobbies ou técnicas de mindfulness) são essenciais para construir uma regulação emocional duradoura.
“É fundamental que a pessoa aprenda a validar e a tolerar suas emoções negativas, em vez de fugir delas através do consumo. É um trabalho de autoconhecimento profundo que devolve o controle sobre as emoções e o bolso”, conclui Josiele.
Acompanhe o trabalho da Josiele Sena no Instagram: @psicologia.psimind
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
imprensa@benditaletra.com.br
Leave a Reply