Cansaço e estresse aumentam no fim de ano e prejudicam saúde metabólica

A chegada do final do ano traz consigo uma tempestade perfeita de acúmulo de tarefas: fechamento de projetos, demandas escolares, compromissos sociais e contas. Para dar conta da rotina intensa, a maioria das pessoas sacrifica o sono, a alimentação e a atividade física, criando um ambiente de estresse contínuo. Segundo o Dr. Rafael Fantin, Endocrinologista e Metabologista, especialista em Medicina do Exercício e Esporte, esse estado eleva a produção inadequada de cortisol, um hormônio que deveria ser usado apenas em situações agudas de ameaça.

Quando o cortisol se mantém alto por muito tempo, o corpo interpreta a rotina como um perigo constante, alterando profundamente o metabolismo. O organismo passa a agir para “poupar recursos”, priorizando o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, e dificultando a ação da insulina. “O organismo favorece o acúmulo de gordura visceral. A glicose deixa de entrar adequadamente nas células e é direcionada para a formação de triglicerídeos. Paralelamente, o desequilíbrio entre testosterona e cortisol prejudica a manutenção da massa muscular. Assim, o corpo entra em um ciclo desfavorável, combinando mais gordura, mais inflamação e menos músculo, o que compromete energia e saúde”, explica o especialista.

O estresse crônico acelera a mente, tornando a pessoa mais reativa, com menos foco e uma sensação constante de urgência. Se o cérebro percebe ameaça, o descanso é sabotado. “O estresse interfere na flora intestinal, aumenta a acidez gástrica e impacta até a produção de hormônios sexuais; quando o corpo precisa escolher entre reproduzir e sobreviver, ele sempre escolhe sobreviver,” comenta o médico.

O sono piora, a eficiência cai, e a necessidade de produzir no dia seguinte alimenta o ciclo negativo. O estresse prolongado também pode levar à exaustão adrenal, onde a pessoa acorda cansada e não recupera a energia ao longo do dia.

Para frear essa aceleração mental, o corpo esgota rapidamente o neurotransmissor GABA, responsável pelo relaxamento. A estratégia é fornecer a matéria-prima e os cofatores para sustentá-lo:

  • Relaxamento: magnésio, vitamina B6, glicina, taurina e teanina ajudam a restaurar o equilíbrio entre aceleração e desaceleração. Fitoterápicos como valeriana e melissa atuam como reguladores naturais.
  • Apoio Celular: para combater a grande produção de radicais livres, é essencial fortalecer o sistema antioxidante com zinco, selênio, vitamina C, vitamina E, coenzima Q10 e melatonina.

O Dr. Rafael alerta que a busca por recompensa em momentos de angústia leva ao consumo de doces ou álcool (que trazem alívio rápido, mas prejuízos metabólicos). No entanto, a forma mais saudável de produzir neurotransmissores de bem-estar é através da atividade física. “Exercícios regulares estimulam a liberação de miocinas e exerquinas, moléculas que melhoram foco, humor, resiliência, motivação e bem-estar geral”, afirma.

Para começar 2026 com energia, a chave é a manutenção da rotina: alimentação equilibrada, atividade física diária, organização mínima do sono e consumo consciente de álcool. “Todo mundo lembra dos excessos de dezembro, mas esquece que o prejuízo metabólico aparece mesmo é em janeiro. Quanto mais você preserva suas rotinas agora, menos dívidas metabólicas terá para pagar depois. Em outras palavras: o comportamento que você escolhe no fim do ano define o nível de energia com que você começa o próximo”, finaliza.

Acompanhe o trabalho do Dr. Rafael Fantin nas redes sociais: @dr.rafaelfantin | institutorafaelfantin.com.br 

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MARIA JULIA HENRIQUES NASCIMENTO
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