O economista Bruno Corano, fundador da Corano Capital e radicado há mais de 15 anos nos Estados Unidos, classificou como “sem pé nem cabeça” a declaração do secretário de Trump que atribuiu a inflação da carne ao aumento de imigrantes no país. Segundo ele, não há qualquer evidência econômica, estatística ou sanitária que conecte a chegada de imigrantes ao encarecimento do produto.
Corano explica que a carne nos EUA sobe por um conjunto de fatores já mapeados por analistas e pelo próprio governo americano: redução histórica do rebanho, custos mais altos de insumos, problemas climáticos e sanções sanitárias recentes que afetaram parte das importações.
Oferta menor e custos maiores são o verdadeiro motor da inflação
“Não faz o menor sentido vincular imigrantes ao preço da carne. O rebanho americano vem caindo há anos porque muitos fazendeiros passaram a usar suas terras para atividades mais lucrativas. Ou seja, a produção diminuiu por razões econômicas claras, não por questões migratórias”, afirma.
O economista reforça que a inflação do setor já vinha pressionada desde a pandemia. “O custo de ração e outros insumos subiu muito nos últimos anos, ao mesmo tempo em que a demanda se manteve firme. Esse desequilíbrio — consumo alto e oferta baixa — explica praticamente toda a alta dos preços”, completa.
Questões sanitárias não têm relação com imigrantes
Corano também rebate a interpretação de que questões sanitárias estariam ligadas à entrada de estrangeiros. “Ninguém atravessa a fronteira com rebanho. Não existe lógica ou evidência de que imigrantes tenham impacto sanitário sobre o gado americano. Isso simplesmente não tem sustentação técnica”, diz.
Embargo ao México adiciona pressão, mas não altera diagnóstico
Ele lembra ainda que, recentemente, os EUA embargaram parte da carne mexicana por problemas sanitários — o que elevou os preços em algumas regiões, embora o México não seja um fornecedor dominante. “É um fator adicional, que ajuda a empurrar os preços para cima, mas não muda o quadro principal: produção menor, custos maiores e demanda consistente”, explica.
Conclusão de Corano
Para Bruno Corano, a tentativa de atribuir a inflação da carne aos imigrantes desvia o foco do problema real. “A explicação econômica é simples e já conhecida. Atribuir isso à imigração é distorcer o debate e ignorar dados básicos do setor pecuário dos EUA”, conclui.
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GEOFFREY PIPINO SCARMELOTE
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