Black Friday 2025 acende alerta para golpes digitais; especialistas explicam por que os criminosos parecem sempre um passo à frente
- Pesquisa do Reclame Aqui mostra que 76% dos consumidores têm medo das fraudes criadas com IA e 63% não sabem reconhecer ofertas falsas;
- Advogados criminalistas André Coura e Antônio Silvério Neto explicam por que os golpes digitais avançam mais rápido que a proteção ao consumidor.
São Paulo, novembro de 2025 – A Black Friday 2025 já começou para boa parte do varejo, repetindo o movimento dos últimos anos, e o aumento das ofertas já coloca consumidores em estado de atenção. Em 2024, o Reclame Aqui registrou mais de 14 mil reclamações relacionadas a golpes durante o período, o maior volume já computado pela plataforma. A preocupação não é à toa. Uma pesquisa recente do Reclame Aqui mostra que 76% dos consumidores têm medo das chamadas “fraudes 3.0”, golpes mais sofisticados impulsionados por inteligência artificial. O mesmo levantamento revela que 63% dos brasileiros não sabem identificar quando uma oferta é falsa, o que ajuda a explicar por que a data continua sendo a mais sensível do ano em segurança digital.
A sensação popular é de que “os criminosos não têm medo da lei” cresce a cada Black Friday. Mas, segundo os criminalistas André Coura e Antônio Silvério Neto, sócios do Coura e Silvério Neto Advogados, essa percepção não se explica pela falta de normas. “O arcabouço jurídico brasileiro é completo e aplicável. Estelionato digital, invasões e fraudes já estão claramente tipificados. O desafio não é normativo, é de agilidade”, afirma André Coura. Para ele, a legislação não acompanha a velocidade com que o dinheiro e as evidências somem. “O criminoso digital age em segundos. A investigação ainda age em horas ou dias. Esse descompasso é o motor da sensação de impunidade”, completa Antônio Silvério Neto.
Os especialistas reuniram sete pontos essenciais que ajudam a explicar por que os golpes se multiplicam na Black Friday e o que precisa mudar para proteger consumidores, bancos e plataformas.
1. A legislação brasileira é robusta. Estelionato, crimes informáticos, Marco Civil da Internet, LGPD e Código de Defesa do Consumidor garantem mecanismos suficientes para enquadrar fraudes. O problema não está nas normas.
2. O crime digital opera mais rápido do que o sistema consegue reagir. Golpes via Pix são liquidados em segundos, e as evidências desaparecem minutos depois. “Quando a vítima percebe, o rastro já está frio e a investigação começa atrás”, diz Silvério Neto.
3. Preservação de provas ainda é falha. Bancos, marketplaces e provedores nem sempre guardam logs, IPs e dados de conexão na agilidade que a lei prevê. “A perda de provas é um dos fatores que mais contribui para a sensação de impunidade”, afirma Coura.
4. Brechas no sistema financeiro. O bloqueio de valores suspeitos não é padronizado entre instituições. O Mecanismo de Bloqueio do Pix é considerado lento e desigual. Contas falsas continuam sendo um dos vetores mais usados pelos criminosos.
5. Marketplaces reagem tarde. Muitas plataformas só agem após múltiplas denúncias e ainda carecem de protocolos claros de preservação de evidências. Isso atrasa investigações e aumenta prejuízos ao consumidor.
6. O que precisa mudar. Bloqueios mais rápidos e integrados, protocolos automáticos de preservação de provas, verificação mais rígida de identidade, uso de IA para rastrear padrões de fraude e cooperação contínua entre bancos, plataformas e autoridades.
7. Prevenção ainda é o caminho mais seguro para o consumidor. Desconfiar de preços muito abaixo da média, confirmar URLs, checar reputação, evitar Pix para desconhecidos e registrar boletim de ocorrência imediatamente após o golpe.
“A Black Friday não precisa ser um campo minado”, reforça Coura. “Quando há educação digital, transparência dos marketplaces e respostas mais rápidas das instituições, o consumidor deixa de ser o elo mais frágil.”
Sobre os especialistas André Coura e Antônio Silvério Neto
André Coura
Graduado e mestre em direito pela Universidade FUMEC (MG). Atua há mais de 14 anos no consultivo e contencioso estratégicos, com foco em compliance criminal e investigações complexas, especialmente perante tribunais superiores. Especialista em matéria penal econômica, financeira e empresarial.
Antônio Silvério Neto
Advogado com mais de 7 anos de experiência em casos criminais de grande complexidade, especialmente operações policiais. Especialista em habeas corpus e recursos nos tribunais superiores. Consultor em compliance criminal empresarial e ESG. Graduado em direito e pós-graduado em Direito Penal e Criminologia pela PUC-RS.
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DANIELA MARTINA MOLL
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