Belém sedia caminhada que renova o pacto feminista global iniciado na Eco-92

Trinta e três anos após o histórico Planeta Fêmea, realizado durante a Eco-92, no Rio de Janeiro, mulheres de diferentes gerações e origens voltam a se reunir para reafirmar o compromisso com a defesa da vida, da justiça climática e da igualdade de gênero. No domingo, 16 de novembro, Belém sediará a caminhada “Mulheres por Justiça Climática – Do Mar do Rio 92 às Águas de Belém na COP30”, com concentração a partir das 12h30, na Estação das Docas.

O ato é organizado pela Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), Instituto Alziras, Marcha das Margaridas e Marcha das Mulheres Negras, reunindo vozes feministas, antirracistas e internacionalistas de todo o país e da América Latina.

A programação começa com a chegada do Barco Feminista e Antirracista, que partirá da Universidade Federal do Pará (UFPA) — sede da Cúpula dos Povos — às 12h, transportando 100 representantes de diferentes movimentos sociais, entre autoridades, artistas, jornalistas e lideranças feministas.

Entre as presenças confirmadas estão a cantora Maria Gadú, a deputada federal Célia Xakriabá, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, e a diretora-executiva da COP30, Ana Toni. Também foram convidadas a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e a primeira-dama Janja Lula da Silva.

O barco deve atracar na Estação das Docas por volta das 13h, trazendo cartas escritas por mulheres brasileiras, recolhidas durante a Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, e bordadas em tecido pelo coletivo Linhas do Horizonte, de Minas Gerais.

Em seguida, terá início a caminhada até a Praça da República, percorrendo quatro quadras. Durante o trajeto, estão previstas performances artísticas, cânticos, tambores e poesias, com a presença de representantes indígenas, quilombolas, ribeirinhas, negras, urbanas e jovens.

Na chegada à Praça da República, será exibido o vídeo do Planeta Fêmea, produzido em 1992, além de manifestações culturais em homenagem às paraenses Antônia Ferreira dos Santos e Marly Vianna Barroso, quebradeiras de coco babaçu assassinadas no último dia 3 de novembro. As duas são consideradas símbolos da luta de mulheres defensoras da floresta e dos territórios.

De acordo com a organização, o ato representa “uma ponte entre distintas gerações de mulheres que há 33 anos plantaram as sementes de resistência que hoje são colhidas e replantadas, renovando o pacto feminista e antirracista pela vida na Terra”.

O legado do Planeta Fêmea

Criado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), o Planeta Fêmea foi um espaço independente que reuniu mulheres e autoridades de todo o mundo no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Lideranças globais e ativistas ecofeministas debateram temas como biodiversidade, direitos da terra, segurança alimentar e sustentabilidade, a partir da perspectiva das mulheres. O encontro resultou na “Agenda 21 das Mulheres”, documento que integrou as discussões oficiais da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

A abertura simbólica do Planeta Fêmea ocorreu na Praia do Leme, com o lançamento de um barco ao mar carregando cartas em defesa do planeta escritas por mulheres de diversos países — gesto que inspira o ato que será retomado agora, em Belém.

Assim como em 1992, o barco que navegará pelo Rio Guamá simboliza o renovar do pacto feminista e antirracista pela vida na Terra, reafirmando o protagonismo das mulheres na luta contra a crise climática e na defesa dos territórios.

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AMANDA GABRIELA MARTINS MAGALHÃES
amanda.martins.jor@gmail.com

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