Atenção à saúde bucal pode reduzir efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia

Manter a saúde bucal em dia é uma medida essencial para reduzir os efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia. Isso porque os tratamentos oncológicos comprometem a imunidade e afetam tecidos sensíveis da cavidade oral, tornando o organismo mais suscetível a inflamações, feridas e infecções. A atenção odontológica contínua, antes e durante o tratamento, contribui para prevenir complicações e garantir uma recuperação mais segura e equilibrada.
Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que 74% dos procedimentos oncológicos envolvem quimioterapia, 22% radioterapia e 3% cirurgias. De acordo com Alessandro Caldas Travassos, clínico geral e especialista em prótese da Clínica Omint Odonto e Estética, os impactos na cavidade oral podem surgir de forma imediata ou tardia. “É comum o surgimento de inflamações, feridas dolorosas, infecções e redução temporária da produção de saliva durante o tratamento. Além disso, podem ocorrer alterações no paladar e até sangramento gengival”, explica o dentista.
Entre os efeitos de longo prazo, Travassos destaca alterações permanentes nas glândulas salivares, maior risco de cáries e doenças gengivais, retardo na cicatrização e, nos casos de radioterapia na região de cabeça e pescoço, rigidez muscular e boca seca crônica.
Cuidados que fazem a diferença
Para prevenir ou minimizar esses efeitos, o especialista recomenda uma rotina de higiene adaptada: com uso de escovas ultramacias, cremes dentais fluoretados ou neutros, saliva artificial e sprays hidratantes bucais. “Evitar enxaguantes com álcool, escovas duras e alimentos muito quentes ou condimentados ajuda a reduzir irritações. A saliva e a mucosa saudáveis são parte da defesa natural do organismo, e manter uma boa hidratação é essencial”, reforça o dentista.
Em casos de mucosite, inflamação causada na mucosa da boca, o uso de gaze umedecida pode substituir a escovação temporariamente, até a melhora do quadro.
Imunidade e prevenção de infecções
Durante o tratamento oncológico, a queda da imunidade favorece a proliferação de fungos, bactérias e vírus que normalmente convivem de forma equilibrada na boca, aumentando o risco de doenças como candidíase bucal, herpes labial, gengivite, periodontite e cáries.
Por isso, antes de iniciar a quimioterapia ou a radioterapia, é importante realizar uma avaliação odontológica completa. “O ideal é eliminar focos de inflamação e cuidar de possíveis cáries antes do início do tratamento, prevenindo complicações que podem se agravar com a queda da imunidade”, orienta o especialista.
O alinhamento entre o acompanhamento odontológico e o tratamento oncológico, segundo Alessandro, é fundamental para prevenir infecções, reduzir desconfortos e favorecer uma recuperação mais equilibrada. “Ambos os cuidados devem caminhar juntos, garantindo maior segurança e qualidade de vida ao paciente”, conclui.

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RAQUEL REIS
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