A violência contra professores vem aumentando de forma alarmante. Segundo levantamento do canal Disque 100, o número de denúncias de violência nas escolas cresceu 50% em 2023 em relação ao ano anterior. Um estudo da Fundação FAPESP mostra que o número de ocorrências de ‘violência interpessoal’ em ambientes escolares saltou de 3.771 em 2013 para 13.117 em 2023. Paralelamente, há outro dado inquietante: oito em cada dez professores brasileiros já pensaram em abandonar a carreira, conforme pesquisa da Agência Brasil (2024). Entre eles, 46% relatam agressões verbais e 23% afirmam ter sofrido intimidações diretas.
Esses dados são sinais de um colapso ético que se anuncia. Quando pais agridem professores, mães gritam em portarias e alunos desafiam os limites da convivência, algo se rompe no tecido social. O espaço de diálogo cede lugar à disputa. O exemplo de casa se transforma em justificativa para o desrespeito, e a escola, em vez de ser terreno fértil para o aprendizado, passa a ser campo de resistência.
A situação se agrava diante de um fenômeno contemporâneo: a exposição e o julgamento da escola nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp. O que deveria ser instrumento de comunicação e apoio tornou-se palco de tribunais informais. Professores são criticados nominalmente e decisões pedagógicas são contestadas sem mediação ou contexto. Estudo publicado pela Education Policy Analysis Archives (2023), mostra que o uso indevido dos grupos escolares digitais tem adoecido professores e comprometido a confiança entre família e escola. Muitos profissionais relatam medo de mensagens fora do horário de trabalho, constrangimento diante de críticas coletivas e a sensação de vigilância constante.
É urgente resgatar o verdadeiro sentido da parceria educativa. A escola não é prestadora de serviço; é espaço de formação integral. Os professores não são empregados das famílias; são mediadores do conhecimento e da vida. Educar é ato coletivo, sustentado pela confiança, pela escuta e pelo respeito. Quando a casa e a escola caminham em direções opostas, a criança se perde e com ela, perde-se também o futuro.
Pais e responsáveis precisam compreender que estar ao lado da escola não significa concordar com tudo, mas dialogar com maturidade. É tempo de reconstruir a confiança e devolver à escola o seu lugar de honra. De silenciar o ruído dos grupos e reabrir o espaço do diálogo. De substituir o julgamento pela presença, a crítica pela escuta, a exigência pela cooperação. Porque educar é, antes de tudo, um ato de amor e o amor não grita, não humilha, não agride. Ele acolhe, orienta e ensina.
Tatiana Santana é diretora do Colégio Externato São José e coordenadora regional da ANEC (Associação Nacional de Educação Católica do Brasil).
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CAROLINA OLIVEIRA DE ASSIS
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