Ansiedade é um dos principais sabotadores do emagrecimento

A ansiedade tem sido um dos maiores obstáculos para quem tenta emagrecer e/ou manter o peso, afirma a psicóloga cognitivo-comportamental Karine Brock. Segundo a especialista, a emoção não apenas interfere na relação com a comida, como também ativa um ciclo automático que leva muitas pessoas a comerem não por fome, mas para tentar aliviar a tensão.
Ela explica que, quando a ansiedade aparece, acelera pensamentos, gera desconfortos físicos e impulsiona a busca por um alívio imediato e para muitas pessoas, esse alívio acaba sendo a comida. “O problema é que isso cria um padrão repetitivo: ansiedade, comer, culpa, mais ansiedade, nova busca por comida”, descreve.
A psicóloga aponta que os gatilhos mais comuns são estresse e sobrecarga, sensação de vazio ou solidão, tédio, autocrítica intensa, ansiedade antecipatória e até situações sociais envolvendo comida. “Esses gatilhos ativam pensamentos como ‘preciso comer para me acalmar’ ou ‘eu mereço’, alimentando episódios impulsivos”, destaca.
Karine conta que a Terapia Cognitivo-Comportamental, TCC, trabalha para interromper o ciclo da ansiedade com técnicas estruturadas, como: diário alimentar emocional para mapear pensamentos, emoções e impulsos relacionados à comida; psicoeducação sobre ansiedade, permitindo ao paciente entender seu próprio funcionamento emocional; reestruturação cognitiva para questionar pensamentos automáticos como ‘não consigo me controlar’ ou ‘já estraguei tudo’; treino de regulação emocional e planejamento de respostas alternativas, que não envolvam comida; exposição e prevenção de resposta, importante para casos de compulsão.
Para situações de urgência emocional, a psicóloga indica ações simples e eficazes: técnica dos 10 minutos, para observar o impulso antes de agir; respiração diafragmática para reduzir a ativação fisiológica; ‘kit de emergência emocional’, com pequenas atividades prazerosas que não envolvam comida; mudança de ambiente, como sair da cozinha ou caminhar; registrar emoções para ganhar clareza. “Não é sobre proibir — é sobre criar espaço entre o impulso e a ação”, reforça.
Práticas de atenção plena, mindful eating, também fazem parte da TCC e ajudam a reduzir comportamentos automáticos. Entre as orientações estão pausar antes de comer, identificar fome física versus emocional, mastigar mais devagar, observar pensamentos e emoções durante a refeição e evitar julgamentos. “Isso aumenta a presença, melhora a percepção corporal e reduz a impulsividade”, afirma a psicóloga.
Em muitos casos, a ansiedade também nasce do medo de engordar ou de não atingir o peso desejado. A profissional explica que isso geralmente está ligado a crenças profundas sobre valor pessoal e perfeccionismo. A TCC trabalha com reestruturação dessas crenças, exposição gradual, fortalecimento da autoimagem e construção de habilidades de tolerância ao desconforto.
Para a psicóloga, recaídas fazem parte do processo e nunca devem ser interpretadas como fracasso. “A recaída traz informação. O foco é entender o que gerou o episódio, ajustar estratégias e reforçar a autocompaixão. A meta é trocar culpa por aprendizado”.
Karine Brock recomenda ações simples que já podem ajudar quem está iniciando essa jornada: observar padrões emocionais e alimentares; praticar respiração lenta em momentos de ansiedade; criar pequenas rotinas de autocuidado; estabelecer metas realistas; reduzir a autocrítica; e fazer pausas conscientes antes de comer. “Quando a pessoa começa a se relacionar com o processo com mais gentileza, surge mais clareza emocional e maior capacidade de escolha”, conclui.

 

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AMANDA MARIA SILVEIRA
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