A busca por resultados rápidos e pelo chamado “corpo ideal” tem levado cada vez mais pessoas, especialmente jovens, a recorrer ao uso de anabolizantes, substâncias derivadas da testosterona. Embora o uso desses hormônios seja regulamentado para tratamentos específicos e com prescrição controlada, para fins estéticos ou de ganho de desempenho físico é proibido pelo Conselho Federal de Medicina desde 2023.
Mesmo assim, o consumo segue em alta. De acordo com dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a venda de anabolizantes aumentou 670% em 2024. O dado acende um alerta sobre os efeitos colaterais do uso indiscriminado dessas substâncias, que podem atingir diversos sistemas do organismo e causar danos irreversíveis.
“O uso de anabolizantes pode levar a hipertensão arterial, arritmias e outras doenças cardíacas. Além disso, há um risco aumentado de desenvolvimento de determinados tipos de câncer, como o de fígado e o de mama”, explica o médico urologista e especialista em saúde do homem Dr. Henrique Coelho.
Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA, uma das mais respeitadas do mundo, reforça as preocupações: um estudo realizado na Dinamarca apontou que o uso de anabolizantes triplica o risco de morte. “Essas substâncias aumentam a produção de células vermelhas, o que torna o sangue mais espesso. Isso eleva a pressão arterial e aumenta o risco de trombose, infarto e AVC (acidente vascular cerebral)”, alerta o médico.
Os efeitos colaterais, no entanto, não se restringem ao corpo. Há impactos fisiológicos e psicossociais significativos. “A pessoa pode ficar mais irritada, apresentar aumento de apetite, insônia e alterações hormonais. Em alguns casos, há o desenvolvimento de ginecomastia, aumento das mamas masculinas e ele pode ter até disfunção erétil”, detalha o especialista.
O tema ganhou destaque este ano após a morte do fisiculturista Wanderson da Silva Moreira, de 30 anos, que sofreu uma parada cardíaca durante um evento em Campo Grande. O caso reacendeu o debate sobre o uso de substâncias hormonais sem prescrição médica. “Não há dose segura. A busca por resultados rápidos pode custar caro à saúde. É fundamental que a população compreenda que o uso inadequado de anabolizantes pode ter consequências graves e permanentes”, reforça Henrique.
Pressão estética e desinformação:
Impulsionados por influenciadores digitais e padrões estéticos cada vez mais exigentes, muitos jovens iniciam o uso dessas substâncias sem acompanhamento médico e sem compreender os riscos envolvidos. “Não existe indicação de fazer reposição hormonal com objetivo estético. A testosterona é indicada apenas quando há deficiência comprovada. Em homens, a partir dos 40 anos, o hormônio tende a cair cerca de 1% ao ano, e em alguns casos pode haver necessidade clínica de reposição. Fora disso, é uso indevido e perigoso”, conclui o médico.
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RENATA DOS SANTOS PORTELA
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