“A Casa de Dona Helena Greco” chega ao Galpão Cine Horto em diálogo entre memória, forma e afet

 

Fruto de um processo autoral construído ao longo de dez anos, o filme nasce do encontro entre arquivos, lembranças e relações que atravessaram a diretora durante a pesquisa. A narrativa se aproxima de Helena Greco pela sensibilidade da forma, permitindo que a memória seja percebida não como registro linear, mas como experiência que se amplia, ressoa e se reinventa a cada gesto.
 

 

Luciene explica que há uma presença feminina no modo como o filme organiza sensações e estabelece vínculos. “É uma construção que se revela nas associações entre as cenas, nos silêncios, no gesto de escutar. A presença feminina está na maneira de olhar”, afirma. A diretora reforça que sua ideia de autoridade documental está na própria obra. “O filme se sustenta nas relações que cria dentro de si, nos caminhos narrativos que se estabelecem organicamente. A força está na forma, que é o que nos convoca a sentir.

A casa de Helena, no centro de Belo Horizonte, surge como território vivo: espaço de acolhimento, trocas, decisões urgentes e delicadezas cotidianas. Essa atmosfera atravessa o documentário por meio de metáforas como cartas, correspondências e memórias que cruzam tempos distintos. A cidade também se torna uma espécie de casa expandida, lugar onde a obra encontra novas leituras a cada exibição.

Relatos de familiares e de pessoas que acompanharam a trajetória de Helena formam um mosaico de memórias que entrelaça vida política, afetos e vivências compartilhadas. A participação de quem testemunhou momentos decisivos da ditadura fortalece a perspectiva histórica do filme e evidencia como a convivência pode transformar e sustentar a resistência.

Para Luciene, essa é a essência do projeto. “Helena fez da casa um lugar de escuta e reinvenção. Pessoas muito diferentes encontraram ali o que precisavam para respirar e agir. O filme tenta honrar isso, permitindo que as trocas atravessem a obra”, diz. Ela destaca ainda o caráter aberto do documentário. “A cada sessão surge um sentido novo. O público completa o filme, transforma e devolve outra camada.”

O percurso de exibições do documentário reforça essa dimensão de obra viva. A Casa da Floresta, a Casa Socialista, a Assprom, A Casa Aberta e a PUC Betim foram pontos de partida de um circuito que coloca o filme em contato direto com pessoas, casas e coletivos. Agora, no Galpão Cine Horto, referência na formação e na experimentação artística em Belo Horizonte, o encontro ganha novo simbolismo. O local, que se mobiliza para manter suas atividades e sua importância cultural, dialoga naturalmente com o cinema independente e com a ideia de espaços que precisam continuar abertos para que memória, arte e democracia permaneçam em movimento.

“A Casa de Dona Helena Greco” é um convite à escuta. Ao abrir janelas para a história e para a sensibilidade, o filme lembra que a memória não é apenas aquilo que se preserva, mas aquilo que continua a acontecer quando alguém decide olhar com atenção.

Galpão Cine Horto

A Casa de Dona Helena Greco chega ao Galpão Cine Horto em sintonia com a história do espaço, reconhecido por fomentar obras que articulam memória, território e participação social. A exibição aproxima o legado de Helena Greco da vocação do Cine Horto de acolher narrativas que refletem sobre identidade e resistência, reforçando o papel do centro cultural como ponto de encontro entre arte, política e formação crítica.

Serviço
 Exibição do documentário “A Casa de Dona Helena Greco”
 Data: 29 de novembro, sábado
 Horário: 19h
 Local: Galpão Cine Horto, rua Pitangui, 3613 – Horto Florestal, Belo Horizonte
 Após o filme: roda de conversa sobre memórias, democracia e direitos humanos
 Entrada gratuita

 

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PATRICK BRYAN FERREIRA NASCIMENTO
patrickferreira.jornalismo@gmail.com

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