Decidir o destino do 13º salário nem sempre é uma tarefa fácil: quitar dívidas, investir ou guardar? Para Luiz Paloschi, economista e professor de Ciências Econômicas da EAD UniCesumar, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da atual situação financeira particular. “Se você tem contas atrasadas ou vem enfrentando dificuldades para honrar seus compromissos, o mais indicado é usar o 13º salário para quitar dívidas. Já se todas as contas estão em dia, mas o dinheiro nunca sobra, o ideal é começar a formar uma reserva de emergência para imprevistos ou para cobrir despesas típicas do início do ano. Agora, se você já tem uma reserva e ainda sobra dinheiro, vale pensar em objetivos de médio e longo prazo e direcionar parte do valor para investimentos mais rentáveis e compatíveis com esses objetivos”, orienta Paloschi.
Destino do 13º salário: checklist
Paloschi elenca, no checklist abaixo, possibilidades de destinos do 13º salário.
- Verifique a existência de dívidas caras (com juros altos)
- Forme ou reforce sua reserva de emergência
- Invista de forma simples e segura
- Prepare-se para gastos sazonais
Investir com o 13º: opções simples e eficazes
Pensando em opções simples e seguras para o público que não é especialista em investimentos, Paloschi recomenda Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária ou com prazos entre um e dois anos, LCI e LCA. “O Tesouro Selic é um título público considerado o mais seguro do país. Tem liquidez diária (pode ser resgatado rapidamente), baixo risco e rendimento que acompanha a taxa Selic. É ideal para quem quer praticidade e proteção contra oscilações do mercado”, explica.
Já os CDBs de liquidez diária, segundo ele, são emitidos por bancos e permitem resgates a qualquer momento. “Certifique-se de que rendam pelo menos 100% do CDI e que sejam oferecidos por instituições confiáveis. Os CDBs com prazos de vencimento, geralmente oferecem rentabilidades maiores, e você também paga menos impostos, pois quanto mais tempo permanece com o título, menor será a alíquota (podendo cair de 22,5% para 15%)”, pontua o professor.
Por fim, LCI e LCA são Letras de Crédito Imobiliário ou do Agronegócio, também protegidas pelo FGC, são isentas de Imposto de Renda, o que aumenta a rentabilidade líquida. “Geralmente, esses títulos possuem vencimentos entre seis meses e dois anos”, conclui.
O uso ideal do 13º para os diferentes momentos da vida
Para Paloschi, o destino do 13º pode mudar conforme o ciclo da vida: um jovem no primeiro emprego terá um cenário diferente de uma família com filhos, por exemplo. Isso se repete para um trabalhador estabilizado e um aposentado.
“O foco de um jovem no primeiro emprego deve ser o de criar hábitos financeiros saudáveis desde cedo, priorize sair do endividamento, se houver. Em alguns casos, há menos responsabilidades, o que torna essa uma boa oportunidade para formar uma reserva de emergência e começar a investir, mesmo com valores pequenos. O primeiro 13º pode representar o primeiro passo para grandes objetivos futuros. Nessa fase, também deve-se pensar em investir em capacitação ou objetivos pessoais, como cursos ou projetos independentes. Reservar uma parcela para o lazer responsável, sem comprometer o equilíbrio financeiro, também é indicado”, recomenda o economista.
Já para uma família com filhos, o professor lembra que o orçamento costuma ser mais pressionado. Despesas sazonais, como matrícula e material escolar, impostos e férias, exigem planejamento. Nesse caso, parte do 13º pode ser destinada para quitar ou evitar dívidas e parte pode ser reservada para esses gastos previsíveis do início do ano. Se houver estabilidade, os investimentos podem ganhar espaço nos planos, já considerando os objetivos da família”, completa.
No caso de um trabalhador estabilizado, Paloschi sugere aproveitar o 13º para reforçar objetivos de médio e longo prazo, como investimentos, aposentadoria complementar ou realizações específicas, como a troca de carro e a compra de casa própria.
Já para o aposentado, segundo o economista, a dinâmica é outra: além de a renda ser mais estável, também é importante considerar a proteção financeira e a saúde. O 13º pode ser destinado para reforçar a reserva de liquidez, cobrir gastos médicos futuros e evitar endividamento, que costuma ser mais arriscado nessa fase da vida. “Se houver estabilidade e sobra, também cabe direcionar parte para investimentos de baixo risco e fácil resgate. O 13º também pode ser usado para realizar projetos pessoais ou reservar para eventuais apoios a familiares, sempre priorizando o bem-estar e a tranquilidade”, finaliza.
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Priscilla Poubel
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