Veja Luz divulga “Revoada”, novo EP de estúdio que marca mais um capítulo de sua trajetória no reggae brasileiro contemporâneo. Reunindo cinco faixas inéditas, “Revoada”, “Força e Leveza”, “Acredite Sempre”, “Enquanto a Cidade Dorme” e “Almirante Negro”, o trabalho traduz em música temas como liberdade, consciência, afeto e transformação coletiva, reforçando a identidade artística construída pelo grupo ao longo de 18 anos de trajetória independente.
Formada em 2008, em Taboão da Serra (SP), a Veja Luz desenvolveu uma linguagem própria que dialoga com o reggae jamaicano e inglês enquanto incorpora influências do soul, jazz, blues, R&B e hip-hop, sempre atravessadas por uma sonoridade brasileira. O novo EP amplia essa pesquisa ao equilibrar elementos eletrônicos, como beats, samples e texturas digitais, com guitarras, metais e arranjos orgânicos.
A faixa que dá nome ao trabalho sintetiza o conceito do projeto. Em “Revoada”, a imagem dos pássaros que cruzam os céus em grupo inspira uma reflexão sobre pertencimento, movimento e novos começos. “Revoada é sobre levantar voo novamente e entender que ninguém chega longe sozinho”, define a banda.
Outro destaque é “Força e Leveza”, inspirada na tradição do lover’s reggae das décadas de 1980 e 1990. Referências como Dennis Brown, Horace Andy, Freddie McGregor, Sugar Minott e Maxi Priest ajudam a construir uma canção que coloca o amor como linguagem universal e resposta aos tempos de intolerância. “Amar em tempos de ódio é um ato revolucionário”, resume o grupo.
Com “Revoada”, a Veja Luz reafirma sua proposta de produzir um reggae contemporâneo que dialoga com diferentes territórios musicais sem abrir mão de sua essência. O EP representa uma nova fase da banda, mais madura e ousada, mas fiel ao propósito de provocar reflexões por meio de canções dançantes, acessíveis e conectadas às questões do presente.
Entre as faixas do EP, “Almirante Negro” também ganha destaque ao revisitar a figura de João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e trazer para o presente questões relacionadas à memória, à luta e à resistência. A canção amplia o diálogo de “Revoada” com temas históricos e sociais, estabelecendo uma ponte entre acontecimentos do passado e questões que permanecem atuais no Brasil e dialogando com debates contemporâneos sobre consciência, desigualdade, liberdade, identidade e transformação coletiva.
Ao longo da carreira, a Veja Luz consolidou seu nome como um dos principais representantes do reggae nacional. Desde o álbum de estreia, “Veja Luz” (2012), que contou com participações de Dada Yute, Gerson da Conceição, Buguinha Dub, Funk Buia e Leandro Kintê, o grupo vem ampliando seu reconhecimento junto ao público e à crítica. Em “Escolhas” (2017), aprofundou sua mistura entre tradição e inovação ao lado de artistas como Black Alien, Sérgio Vaz e Al Griffiths, da banda jamaicana The Gladiators, além de revisitar “O Que Será”, de Chico Buarque. Em 2019, lançou uma versão de “Dona da Minha Cabeça” com participação de Geraldo Azevedo.
A banda também passou por palcos como Virada Cultural de São Paulo, Auditório Ibirapuera, Sesc Pompeia, Centro Cultural São Paulo (CCSP) e Espaço das Américas, além de realizar turnês pelas regiões Nordeste, Sul e Sudeste. Em sua trajetória, dividiu palco e estúdio com artistas como Geraldo Azevedo, Black Alien, Racionais MC’s, Criolo, IZA, Rael, Gaby Amarantos, Edson Gomes e Liniker, além de referências internacionais do reggae, como Black Uhuru, The Congos, Mighty Diamonds e Mad Professor.
A Veja Luz integra uma geração de artistas que vêm ampliando os limites do reggae nacional, aproximando o gênero de linguagens urbanas contemporâneas sem perder sua conexão histórica com temas de consciência social.

