Uma experiência pessoal de recuperação, pesquisa e redescoberta da própria capacidade de criar está na origem de “Natural Medicine”, novo single do saxofonista, compositor e produtor BIO, que chega em todas as plataformas digitais no dia 9 de outubro. Com influências de nomes como Bob Marley e Peter Tosh e referências do reggae jamaicano clássico, a faixa reúne groove, rocksteady e uma mensagem que aproxima música, conhecimento e conexão com a natureza.
Embora seja o segundo single de BIO a chegar ao público, depois da faixa “Que Floresça”, lançado em 2025, “Natural Medicine” ocupa um lugar especial em sua trajetória: foi a primeira composição autoral criada integralmente pelo artista para o projeto solo e nasceu justamente em um dos períodos mais delicados de sua vida.
Pouco antes da pandemia, BIO sofreu uma crise convulsiva enquanto andava de bicicleta. A queda provocou fraturas na mão esquerda e no punho direito, deixando os dois braços engessados por meses. Com mobilidade reduzida a apenas dois dedos da mão esquerda, o músico, acostumado a se expressar por meio de saxofones e flautas, precisou interromper temporariamente a prática dos instrumentos e encontrar outros caminhos para continuar criando.
Impedido de tocar seus instrumentos, BIO encontrou na tecnologia uma maneira de driblar as limitações físicas. Utilizando o Ableton Live, construiu a estrutura da música pelo teclado do computador, trabalhando sintetizadores, linhas de baixo, harmonia e ritmo com os únicos dois dedos que conseguia movimentar naquele momento.
A letra já estava praticamente pronta. Aos poucos, o artista desenvolveu os arranjos e chegou a uma pré-produção que posteriormente ganharia corpo com a participação de músicos ligados à sua trajetória.
Felipe Guedes gravou a bateria; Rafael Toloi, o baixo; KS (Cassiano Coppini), as guitarras; e Kiko Bonato, os teclados. Depois de recuperar os movimentos, BIO pôde finalmente voltar aos instrumentos e registrar pessoalmente as flautas e os saxofones. A gravação conta ainda com Raphael Coelho, da Nomade Orquestra, nas percussões; Junão Ferreira, na escaleta; e Suka Figueiredo e Naty Zanellato, nos backing vocals. Junão Ferreira também assina a mixagem e a masterização.
O resultado é uma música que transforma uma experiência de vulnerabilidade em criação coletiva, sem perder a identidade construída por BIO ao longo de anos de pesquisa musical.
Da Jamaica à identidade autoral de BIO
“Natural Medicine” também carrega a relação de longa data de BIO com a música jamaicana. Durante quase uma década, o artista integrou as bandas Ba-Boom e Saori&Tequila, acumulando experiências com reggae, rocksteady, early reggae e ska.
Um dos momentos determinantes dessa formação aconteceu em 2012, quando participou, com a Ba-Boom, de uma turnê pela Jamaica. O contato com músicos, estúdios e a cultura local ampliou sua percepção sobre elementos como groove, swing, harmonia e construção rítmica — referências que permaneceram presentes em sua trajetória como músico, produtor e coprodutor.
Bob Marley, Peter Tosh, Jacob Miller, Ken Boothe, John Holt, Toots and the Maytals, Dennis Brown, Black Uhuru, Steel Pulse, Alton Ellis, Jackie Mittoo, Jimmy Cliff, The Abyssinians e Desmond Dekker estão entre os artistas que ajudaram a formar esse repertório musical. Em “Natural Medicine”, essa bagagem aparece sem transformar a faixa em exercício de nostalgia: a tradição jamaicana funciona como ponto de partida para uma produção contemporânea e autoral.
A própria composição começou pelo refrão “Medicine, medicine, I’ve got medicine”. A partir dele, BIO construiu uma narrativa influenciada pelos conhecimentos adquiridos durante sua pesquisa sobre a fitoterapia canábica. Somente depois vieram a harmonia e os demais elementos que deram forma à canção.
Mais do que abordar a cannabis medicinal, “Natural Medicine” parte da experiência de BIO para falar sobre transformação, conhecimento compartilhado e a capacidade de encontrar novos caminhos diante das limitações.
O single chega pelo selo independente Lyra Noise, da diretora criativa e compositora Cris Rangel, que atua como A&R e colaboradora criativa do projeto de BIO, participando da construção de estratégias de difusão e também de aspectos ligados às artes visuais, vídeos e clipes.






