Em um cenário cada vez mais competitivo, o futebol moderno exige mais do que talento em campo: requer inteligência, planejamento e, principalmente, decisões baseadas em dados. Nesse contexto, o scouting, processo de mapeamento e análise de atletas, vem ganhando protagonismo na estrutura dos clubes, especialmente nas categorias de base.
Impulsionado por plataformas tecnológicas como a brasileira E-Scout e a global Flashscore, o futebol nacional avança rumo a um novo patamar de profissionalismo na formação e contratação de jogadores. Essa transformação beneficia tanto os clubes quanto os torcedores.
A E-Scout, plataforma especializada em futebol de base, já conta com um banco de dados que reúne mais de 8 mil atletas mapeados em todo o Brasil – a meta é ter esse número dobrado até o final de 2025. Esses jovens jogadores são avaliados a partir de métricas amplamente reconhecidas pelo mercado, como performance técnica, tática, física e capacidade de leitura de jogo. Informações fundamentais para decisões mais estratégicas por parte dos clubes.
“Hoje, um clube que não trabalha com scout está jogando no escuro. A tecnologia nos permite enxergar talentos antes mesmo deles explodirem. Isso representa economia, planejamento e, principalmente, potencial de valorização futura”, explica Diego Vieira, CEO da E-Scout. Segundo ele, o objetivo da empresa é democratizar o acesso à informação de qualidade e contribuir para a formação de atletas mais completos.
Já a Flashscore, referência mundial em estatísticas e dados esportivos em tempo real, se consolida também no mercado brasileiro. O site e aplicativo da marca já somam mais de 7 milhões de usuários mensais, 5 milhões de cadastros e 25 milhões de downloads no país, números que comprovam o apetite do torcedor por estatísticas e o peso da plataforma no cenário esportivo.
“Nossa missão vai além do placar. Queremos entregar contexto, análise e informação em tempo real. Isso é essencial não só para o fã de esportes, mas também para profissionais do futebol que precisam tomar decisões rápidas e bem embasadas”, afirma Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore no Brasil.
O uso de tecnologias inteligentes no esporte segue em expansão acelerada, abrangendo desde ferramentas de comentários baseadas em inteligência artificial até dispositivos vestíveis voltados ao monitoramento de desempenho de atletas de elite. Segundo a consultoria Grand View Research, o mercado global de análise esportiva, avaliado em US$ 2,7 bilhões em 2023, deve crescer cerca de 22% até o fim da década.
Além de promover contratações mais precisas e acelerar a descoberta de novos talentos, o scouting baseado em dados também reduz riscos financeiros e aumenta a competitividade de clubes com menor orçamento.
A inteligência artificial está sendo utilizada para encontrar novos talentos no futebol brasileiro. O CUJU é um aplicativo alemão que conta com IA para analisar passes, chutes, agilidade e impulsão dos jogadores. O programa, que está disponível para IOS e Android, consegue captar os vídeos dos exercícios dos jovens atletas e produzir um ranking através da ferramenta tecnológica.
Atualmente, o CUJU já possui mais de 100 mil downloads em território nacional. Neste ano, o programa organizou o “A Jornada”, torneio que contou com mais de 80 mil jogadores inscritos e, após selecionar os principais talentos do ranking para seletivas presenciais, ofereceu como premiação a ida dos dois vencedores (um da categoria masculina e uma da modalidade feminina) para um período de treinamentos no Hertha Berlim, da Alemanha.
Thaiany Klarmann, brasileira que é chefe de marketing do aplicativo, comenta sobre o trabalho realizado pelo programa: “O CUJU está aberto para todos os jovens atletas. A tecnologia compara apenas o desempenho e não diferencia atletas por classe social, cor da pele ou poder de influência. A plataforma nasceu do desejo de democratizar o futebol. A inteligência artificial veio para ajudar e potencializar o trabalho dos profissionais do futebol, não para substituí-los”.
Os resultados do trabalho bem estruturado de scouting e desenvolvimento de talentos podem ser medidos também pelos números. O Brighton é um dos principais exemplos recentes de como uma gestão baseada em dados pode gerar retorno esportivo e financeiro.
Jogadores como Moisés Caicedo, contratado por 28,2 milhões de euros em 2021/22 junto ao Independiente del Valle, foram vendidos por cifras muito maiores — no caso dele, 116 milhões de euros pagos pelo Chelsea em 2023/24.
O mesmo ocorreu com Alexis Mac Allister, adquirido por 8 milhões em 2018/19, no Argentinos Juniors, e negociado com o Liverpool por 42 milhões cinco anos depois. Já Robert Sánchez e Ben White, formados nas categorias de base do clube, renderam ao Brighton 23 milhões (Chelsea) e 58,5 milhões (Arsenal), respectivamente.
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MATHEUS FIGUEIREDO MARQUES
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