Rodrigo Santoro destaca desafios da distribuição e defende maior aproximação do público com o cinema brasileiro

Rodrigo Santoro no RioMarket — Foto: Davi Campana/Festival do Rio
Foto: Davi Campana/Festival do Rio

Em entrevista ao Festival do Rio, ator revisita a carreira, comenta novos projetos e ressalta a importância de ampliar o acesso às produções nacionais

O ator Rodrigo Santoro aproveitou sua participação no Festival do Rio 2026 para refletir sobre a trajetória no audiovisual, os desafios da profissão e o momento vivido pelo cinema brasileiro. Em entrevista exclusiva ao site oficial do evento, o artista também chamou a atenção para uma questão fundamental da indústria nacional: a necessidade de transformar o reconhecimento internacional em mais espectadores nas salas de cinema do país.

Com uma carreira que transita entre produções brasileiras independentes e grandes projetos internacionais, Santoro afirmou que não enxerga o cinema nacional e o estrangeiro como caminhos separados. Para ele, cada trabalho representa uma oportunidade de aprendizado, independentemente do orçamento ou do tamanho do papel.

Uma carreira guiada por desafios

Ao longo de mais de duas décadas, Rodrigo Santoro construiu uma trajetória marcada pela diversidade de personagens e projetos. Durante a entrevista, o ator destacou que sua escolha profissional está cada vez mais ligada à identificação com as histórias e aos desafios criativos que cada roteiro oferece.

Essa perspectiva também se reflete na maneira como ele encara os personagens. Santoro explicou que procura humanizar cada figura que interpreta, acrescentando camadas e evitando representações caricatas. Para o artista, o processo de criação exige acreditar na personagem para conseguir transmitir sua verdade ao público.

O ator citou experiências distintas de sua filmografia para ilustrar essa visão, incluindo o drama brasileiro O Último Azul e a produção internacional 300. Independentemente da escala de cada projeto, a preparação e a dedicação ao trabalho permanecem essenciais.

Parceria com Marcelo Gomes e novo filme

A participação no Festival do Rio também abriu espaço para Santoro comentar a parceria com o cineasta pernambucano Marcelo Gomes. Os dois estiveram juntos em um encontro no Armazém da Utopia, ao lado de Ilda Santiago, diretora-executiva do festival, para compartilhar experiências e conversar sobre o processo de criação audiovisual.

O ator demonstrou admiração pela maneira como Gomes desenvolve seus filmes, especialmente pela elaboração dos personagens e pela capacidade de realizar trabalhos expressivos mesmo com orçamentos menores.

A parceria seguirá para as telas em Garota da Urca, longa anunciado pela revista Variety. A produção é descrita como uma comédia adulta que aborda amor, sexualidade e crises existenciais na chegada aos 50 anos. O filme também marcará o reencontro de Santoro com Camila Pitanga, com quem contracenou na novela Mulheres Apaixonadas.

Sem revelar muitos detalhes sobre a trama, o ator adiantou que o projeto apresenta uma proposta diferente de seus trabalhos anteriores e que o personagem representa uma oportunidade criativa que o deixa especialmente instigado.

O reconhecimento internacional de O Último Azul

Outro destaque da conversa foi O Último Azul, dirigido por Gabriel Mascaro. O longa conquistou o Urso de Prata no Festival de Berlim e teve uma trajetória expressiva nos cinemas brasileiros.

Santoro ressaltou que não considera o protagonismo um fator determinante para aceitar um papel. Segundo ele, a importância de uma personagem está na possibilidade de desenvolvê-la com profundidade e respeito, independentemente de seu espaço na narrativa.

O ator também destacou a importância de trabalhar com realizadores que apresentam propostas capazes de ampliar sua experiência profissional. Nesse sentido, a parceria com Mascaro representa mais um exemplo de como projetos de diferentes dimensões podem oferecer desafios igualmente relevantes.

O desafio de conquistar o público brasileiro

Um dos principais pontos levantados por Santoro foi a dificuldade de fazer com que o reconhecimento internacional do cinema brasileiro se traduza em uma presença maior do público nacional nas salas de exibição.

O ator destacou que o Brasil vive um período de prestígio em festivais internacionais, com produções que conquistam prêmios e visibilidade. No entanto, ainda é necessário fortalecer a distribuição e criar condições para que esses filmes alcancem mais espectadores dentro do próprio país.

Para Santoro, não basta que as pessoas assistam a uma produção nacional apenas para prestigiar o cinema brasileiro. É fundamental que elas tenham vontade de conhecer as histórias, se envolver com os personagens e encontrar nas telas elementos de sua própria realidade.

O artista também defendeu a ampliação do acesso às produções brasileiras, ressaltando que o cinema vai além do entretenimento: ele contribui para a construção da identidade cultural e para a maneira como uma sociedade se reconhece e se apresenta ao mundo.

Festival do Rio celebra o cinema nacional

A entrevista aconteceu durante a 28ª edição do Festival do Rio, realizada entre 1º e 11 de outubro de 2026. O evento reúne produções brasileiras e internacionais, além de promover encontros entre artistas, cineastas e outros profissionais do audiovisual.

A participação de Rodrigo Santoro reforça a importância desses espaços de diálogo para discutir não apenas as conquistas do cinema brasileiro, mas também os desafios necessários para garantir sua continuidade e ampliar sua presença no mercado nacional.

Para o ator, o objetivo é fazer com que o reconhecimento conquistado pelo audiovisual brasileiro se transforme em um movimento duradouro, com mais pessoas nas salas de cinema e melhores condições para que as histórias produzidas no país cheguem ao público.

Fonte: Festival do Rio — entrevista concedida a Vitória Pratini, publicada em 10 de outubro de 2026.
entrevista original: Festival do Rio — Rodrigo Santoro celebra o cinema brasileiro