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Atriz brasileira premiada em Cannes fala sobre crescimento da mulher no audiovisual

No setor audiovisual, as atividades das mulheres costumam ser atribuídas à parte de produção, arte ou maquiagem, pois o nicho ainda é muito segmentado nas funções de gênero. Na visão de Dani Di Donato, atriz que ganhou destaque por produzir, estrelar e escrever a websérie “Sheila de Charme”, a série com o menor orçamento a entrar no catálogo da Amazon Prime, isso não é, exatamente, um problema. No entanto, ela reitera que as mulheres são capazes de fazer tudo o que quiserem e que, com a pandemia, o audiovisual deu cada vez mais espaço para que se descobrissem dentro da profissão.

“Na minha visão, de uns 4 anos para cá, houve um movimento bem intenso no audiovisual, e a pandemia impulsionou muito uma nova vertente para quem trabalha com esse mercado. Muitas mulheres viram que podiam ir muito além da atuação, produzir um roteiro, dirigir um episódio ou programa, pois tivemos cada vez mais projetos independentes. Isso nos dá mais liberdade dentro de nossa própria arte”, declara a atriz.

A vencedora do prêmio de melhor atriz no Rio Web Fest avalia seu caminho dentro do mercado audiovisual, dando destaque à importância da representatividade feminina atrás das câmeras.

“Estreei profissionalmente aos dezoito anos em uma peça onde fazia produção e sabia todas as falas e marcações da protagonista. A atriz principal saiu da peça na semana de estreia e entrei no lugar dela. Sempre fui atriz, mas produzir viabilizou a oportunidade que me faltava em cima do palco. Hoje, vejo um mercado que ‘precisa’ de mais narrativas femininas e muitas atrizes com talento para outras áreas se arriscando e descobrindo caminhos novos”, pontua.

De acordo com um estudo feito em 2018 pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), através do Observatório do Cinema e do Audiovisual (OCA), os projetos dirigidos por mulheres avançaram de 27% a 32%, entre os selecionados. A participação feminina da produção executiva também cresceu um ponto percentual (indo para 41%). Já nas atividades de direção de arte, as mulheres ultrapassaram os homens, totalizando 57% de participação.

“Os números do estudo da Ancine já são bem expressivos, mas acredito que ele é ainda maior do que antes. Outro ponto que deu muita abertura para as mulheres foram as próprias redes sociais. O Tik Tok e o Instagram se tornaram ferramentas importantes para cada um fazer suas próprias produções independentes. Algumas mulheres, assim como eu, dirigem desde o figurino até as cenas do projeto, ganhando muito destaque nessas mídias”, afirma a produtora.

Ao analisar o setor no Brasil, Dani Di Donato destacou a versatilidade feminina dentro da área. “Os números mostram uma mudança na produção audiovisual, que é um reflexo do consumo. Termos cada vez mais mulheres em posição de liderança e criação gera também mudança no produto final. A gente segue com as questões do nosso mundo, dando conta de tudo e criando mais do que nunca. Minha série foi feita enquanto eu passava por uma gravidez de risco e fazia de tudo na produção, até carregar carro com objeto de arte. Acredito que nossa força e visão de mundo só tem a acrescentar e espero que a participação feminina aumente cada vez mais nesse mercado”, conclui a atriz.

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