O fim de um casamento raramente é fácil, e quando envolve filhos, as consequências emocionais se tornam ainda mais delicadas. Para crianças e adolescentes, o divórcio pode representar uma quebra de segurança, gerando sentimentos de culpa, medo, confusão e até regressões comportamentais. Mas, segundo especialistas, os efeitos são ainda mais intensos quando se trata de crianças atípicas, que dependem de previsibilidade e estabilidade emocional para se desenvolver.
“Crianças dentro do espectro autista, por exemplo, têm uma grande necessidade de rotina e de vínculos consistentes. Mudanças abruptas na dinâmica familiar, como a separação dos pais, podem gerar desorganização emocional e aumento de comportamentos de ansiedade”, explica a neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi, especialista em autismo e desenvolvimento infantil.
Silvia ressalta que o principal desafio está na forma como a transição é conduzida. “Quando os pais conseguem manter o diálogo respeitoso e preservar a previsibilidade na vida da criança, como horários, rotina escolar e convivência afetiva com ambos, os impactos negativos tendem a ser minimizados. O problema surge quando o conflito conjugal se sobrepõe às necessidades emocionais dos filhos”, destaca.
Para a psicóloga e pedagoga Mara Braile, o processo de separação pode despertar emoções ambíguas, mesmo em adolescentes que já compreendem a decisão dos pais. “É comum que os filhos tentem assumir o papel de mediadores, sintam-se responsáveis pelo sofrimento dos adultos ou experimentem um luto silencioso pela família que existia antes. O acolhimento emocional é essencial para que eles consigam ressignificar essa nova fase sem perder o sentimento de pertencimento”, pontua.
Ambas as especialistas reforçam que o divórcio, por si só, não condena o bem-estar emocional das crianças, o fator determinante é a qualidade das relações que permanecem. “Mais do que evitar o divórcio, é preciso evitar o conflito constante”, diz Mara. Já Silvia complementa: “Para a criança típica ou atípica, o que realmente importa é sentir-se amada, segura e incluída, independentemente da configuração familiar.”
As especialistas recomendam que os pais busquem orientação profissional quando perceberem sinais de sofrimento, como alterações no sono, regressão de fala, crises de irritabilidade ou isolamento social. O acompanhamento psicológico e terapêutico pode ajudar a fortalecer o vínculo familiar e garantir que a separação se torne uma etapa de amadurecimento, e não de ruptura emocional.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JÚLIA KLAUS BOZZETTO
juliaklaus57@gmail.com



Leave a Reply