O Projeto Luxúria é uma festa fetichista que acontece mensalmente desde 2015, em São Paulo.
Criado e realizado pelo produtor cultural, Heitor Werneck, o Projeto Luxúria se tornou o espaço onde a liberdade e o prazer são celebrados com consensualidade.
Traz o dress code como forte diferencial, onde a vestimenta sensual funciona como um código que permite que todos os participantes explorem suas fantasias e desfrutem de uma experiência única.
Completando uma trajetória de 20 anos em 2025, o Projeto Luxúria tem sido um celeiro de novos talentos desde sua estréia, e proporcionando ações disruptivas.
“Muitos estilistas, artesãos, DJs, entre outros profissionais começaram suas carreiras e seu network frequentando o Luxúria, usando o evento inclusive como uma plataforma de lançamento para os seus empreendimentos. Isso me dá muito orgulho,” comemora Heitor Werneck.
Reforço da cultura BDSM na luta contra a censura
Para encerrar esse ano, Heitor decidiu dedicar a última edição do Projeto Luxúria à Cultura BDSM que é muito forte no Brasil, mas ainda muito sub representada pela mídia e pelos sex shops e que agora está ainda mais ameaçada em sua visibilidade com às adequações que o entretenimento adulto será obrigado a fazer no ambiente digital à nova Lei 15.211/2025, a ECA Digital.
“Sou totalmente a favor da proteção das crianças e adolescentes no ambiente digital e também fora dele. Porém, já a algum tempo estamos tendo que lidar com bloqueios, denúncias e quedas de perfis da comunidade BDSM e temo que essa censura fique ainda mais pesada com aplicação desta lei. O que precisamos no Brasil não é de censura e sim de educação sexual”, explica.
O BDSM — sigla para Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo — é um conjunto de práticas, dinâmicas e expressões eróticas que envolvem consensualidade, troca de poder e exploração sensorial.
Muito além de estereótipos ou fetiches superficiais, o BDSM possui uma história rica, estruturada e profundamente ligada à noção de cuidado, ética e segurança entre seus praticantes.
As raízes do BDSM podem ser rastreadas desde a Antiguidade, mas o BDSM como conhecemos hoje começou a ganhar forma após a Segunda Guerra Mundial, quando surgiram as primeiras comunidades organizadas de BDSM, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.
Grupos de homens gays, veteranos de guerra e, posteriormente, comunidades heterossexuais e feministas passaram a se reunir de forma estruturada, criando códigos, regras e espaços seguros para a vivência dessas práticas.
Um dos marcos mais importantes da história do BDSM foi a formalização de princípios éticos e de segurança, que diferenciam essas práticas de qualquer forma de abuso ou violência. A criação de conceitos como SSC (São, Seguro e Consensual), RACK (Risco Assumido e Consensual) e o uso de palavras de segurança (safewords) foi fundamental para proteger os praticantes física e emocionalmente.
“Esses protocolos estabeleceram que todas as práticas devem ser baseadas em consentimento explícito e informado, e que o cuidado pós-cena (aftercare) é parte essencial da experiência. O que tem inspirado inclusive os relacionamentos ‘baunilha’ na valorização do diálogo constante como fator indispensável para relações saudáveis”, lembra Heitor.
A organização da cultura BDSM também permitiu que praticantes deixassem a clandestinidade perigosa e passassem a compartilhar conhecimento, reduzindo riscos e promovendo práticas mais responsáveis. A criação de clubes, munches, eventos e materiais educativos foi decisiva para a autonomia e segurança da comunidade.
A importância da Internet para a cultura BDSM
A chegada da Internet representou um divisor de águas para o BDSM. Fóruns, listas de e-mail, blogs, redes sociais e plataformas especializadas possibilitaram que pessoas de diferentes regiões do mundo se conectassem, trocassem experiências e tivessem acesso a informações confiáveis
“A Internet democratizou o acesso ao conhecimento sobre práticas seguras, ajudou pessoas a compreenderem seus desejos sem culpa ou isolamento, facilitou a formação de comunidades locais e globais e deu voz a grupos antes invisibilizados, como mulheres dominantes, pessoas LGBTQIA+ e praticantes não binários”, afirma Heitor que é BDSMer há mais 40 anos e viu essa evolução acontecer.
Além disso, a presença digital ajudou a combater desinformação e estigmas, reforçando que BDSM é sobre consentimento, comunicação e respeito, e não sobre violência ou patologia.
“Essas conquistas poderemos perder com essa nova lei se não nos mexermos e mostrarmos para as autoridades nosso valor. E enquanto pudermos vivenciar e compartilhar os conhecimentos, estaremos bem. Por isso, faço um convite a toda comunidade BDSM e para todos aqueles que queiram conhecer nossa cultura a estar nessa próxima edição do Projeto Luxúria, venham celebrar, trocar experiências e começar a nos organizar para vencermos a censura”.
Esta edição do Projeto Luxúria também é solidária ao Projeto DiverCidade e terá parte de sua renda revertida para ações sociais junto à população LGBT em situação de vulnerabilidade social.
Serviço
Projeto Luxúria – PARAÍSO INFERNAL
20/12 | A partir das 23h30
Rua Aurora, 710 – República – São Paulo
Evento exclusivo para maiores de 18 ano
Informações e Ingressos: https://projetoluxuriaoficial.com.br/
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JULIANNA SANTOS GOMES
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